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O estrago na indústria

O Brasil está longe de poder proporcionar ambiente adequado para a produção, pois os fundamento econômicos continuam desequilibrados. De todo modo, o ajuste está em curso.

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Celso Ming ,
O Estado de S.Paulo

15 Julho 2016 | 21h00

A indústria paulista fechou 235,5 mil vagas de trabalho em 2015 e, pelas projeções da Fiesp, terá fechado outras 165 mil ao longo de todo o ano de 2016.

Esta é uma das fotos da “continuidade de uma tragédia”, para ficar com a expressão do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. E não é resultado da crise externa, como tantas vezes tentou colar na opinião pública o governo Dilma. É resultado da política econômica errada adotada de 2011 a 2014.

Ainda prevalece em certos segmentos do Brasil que se autodenominam “desenvolvimentistas” o ponto de vista de que não importa muito o tipo de política econômica adotado quando se trata de produzir o avanço da indústria. Basta, segundo eles, dar um jeito de empurrar o consumo e adotar uma política industrial voluntariosa para que as máquinas girem e, com o giro do faturamento, sobrevenham os investimentos. 

Em princípio, nada há de errado em adotar uma política industrial. Há situações que exigem firme tomada de decisões, como aconteceu no período de substituição de importações durante o governo Vargas e na execução do Plano de Metas da administração Kubitschek. E essa tomada de decisões exige criação de meios para desenvolver a indústria que se pretende.

Porém, para que dê resultados, não basta uma política industrial firme. É preciso que os fundamentos da economia estejam em ordem.

A política industrial do governo Dilma baseou-se não só em criação artificial do consumo acionada por despesas públicas, mas, também, em desonerações de contribuições, redução de impostos, créditos subsidiados e reservas de mercado. Além disso, o governo decidiu impulsionar certo número de empresas, os tais futuros campeões nacionais, com benefícios que produziram mais distorções do que resultados. Uma delas foi ter minado a produção, na medida em que criou competição desleal entre as empresas.

O ambiente geral foi de forte desequilíbrio dos fundamentos da economia, que se caracterizaram por enorme déficit das contas públicas, expansão da dívida, inflação alta e rombo das contas externas. Foi como pretender semear trigo em pedreira.

O Brasil está longe de poder proporcionar ambiente adequado para a produção, pois os fundamentos continuam desequilibrados. De todo modo, o ajuste está em curso.

Mas não será necessário esperar que ele se complete. O principal fator à disposição da indústria tem um lado negativo: a enorme capacidade ociosa, hoje próxima dos 35%. Mais de um terço das máquinas e instalações industriais está parado. 

Bastará que volte a demanda e a confiança (veja o Confira) para que a produção possa ser reacelerada sem necessidade de mais investimento. Se isso acontecer, também o emprego voltará a crescer e novo círculo virtuoso poderá ser ativado: mais emprego e mais renda aumentarão o consumo e este estimulará o aumento da produção e os investimentos.

CONFIRA: 

Aos poucos, o nível de confiança da indústria vai sendo retomado, como mostra o gráfico baseado em levantamentos da Confederação Nacional da Indústria. 

 

Incertezas

Este é um indicador importante na medida em que mostra a disposição do empresário não só em aumentar a produção, mas, também, em voltar a contratar pessoal. Mas, para a retomada firme da confiança, é preciso que antes sejam removidas as grandes incertezas que ainda pairam sobre a política nacional e sobre o comportamento da economia.

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