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Celso Ming

O governo, paralisado

A presidente Dilma, que faz questão de dizer que seu governo é para todos os brasileiros e não apenas para o PT, foi duramente cobrada; E teve uma reação pífia

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Celso Ming

14 Março 2016 | 21h00

As ruas trovejaram mais neste domingo do que simplesmente palavras de ordem do tipo “fora Dilma” e “fora Lula”.

De maneira mais explícita pediram a continuação das apurações sobre corrupção e a punição dos culpados. Nunca na história um juiz federal de primeira instância, como Sérgio Moro, teve tratamento de herói nacional e foi tão encorajado como desta vez. De cambulhada, as manifestações refutaram a tese do governo Dilma e dos dirigentes do PT de que as investigações são seletivas e de que carregam só para um lado.

Não apareceram apelos explícitos por mais emprego, pelo retorno do crescimento econômico, controle da inflação e saneamento das contas públicas. Mas foi a insatisfação geral com a condução da economia que permeou tudo.

A presidente Dilma, que faz questão de dizer que seu governo é para todos os brasileiros e não apenas para o PT, foi duramente cobrada. E teve uma reação pífia. Em nota lacônica assinada pela Secretaria de Comunicação Social não conseguiu mais do que afirmar que as manifestações demonstraram o caráter pacífico e democrático da população. Essa nota revela a perplexidade do governo Dilma e a falta do que entregar em resposta à pressão das ruas.

Os principais artigos em falta na lojinha presidencial não são bons projetos para resgatar os fundamentos da economia e a retomada do crescimento econômico, mas sim liderança política e capacidade de inspirar confiança.

O desgaste do governo é tão grande que não há quem aposte em que a presidente Dilma seja capaz de comandar uma virada. A única proposta dentro do governo é nomear o ex-presidente Lula para um cargo de ponta no ministério, menos para blindá-lo contra o cerco da Justiça e mais como tentativa de tomar a iniciativa. No entanto, vulnerável como está o ex-presidente Lula, é difícil de ver nessa hipótese alguma possibilidade de sucesso.

Os dirigentes do PT ainda reivindicam um cavalo de pau na política econômica, mas é do jeito deles, com propostas descabidas, que já deram errado e que não têm nenhuma possibilidade de eficácia se o objetivo é garantir a volta da confiança.

Daí por que as possibilidades de solução para o impasse, pelo menos por enquanto, estão no afastamento da presidente Dilma, ou pela cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral, ou pelo encaminhamento do processo de impeachment, ou pela renúncia. O presidente do Senado, Renan Calheiros, ainda sugere uma espécie de parlamentarismo branco, que deixaria a presidente ainda de posse da faixa presidencial, mas de cargo esvaziado. Trata-se de uma opção casuísta, de duvidosa viabilidade jurídica.

Embora tenham sido repelidos nas manifestações, são os políticos que agora são chamados a buscar uma saída. Falta saber se estão à altura do que deles se espera neste momento. Além disso, ainda estão condicionados a imprevisíveis movimentos da Operação Lava Jato.

De todo modo, prevalece a percepção de que o Brasil começa a amadurecer. As instituições de Estado se fortalecem.

CONFIRA:

Aí está a evolução do Índice da Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, que é uma indicação prévia do comportamento do PIB.

Piorou

O recuo do IBC-Br em janeiro, de 0,61% em relação a dezembro e de 4,44% no período de 12 meses terminado em janeiro, foi mais profundo do que o esperado. Mostra que a atividade econômica continua em franca deterioração em 2016 e torna mais difícil uma recuperação ainda este ano. Parece inevitável que essa forte queda se reflita em aumento do desemprego.

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