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O governo, paralisado

A presidente Dilma, que faz questão de dizer que seu governo é para todos os brasileiros e não apenas para o PT, foi duramente cobrada; E teve uma reação pífia

Celso Ming

As ruas trovejaram mais neste domingo do que simplesmente palavras de ordem do tipo “fora Dilma” e “fora Lula”.

De maneira mais explícita pediram a continuação das apurações sobre corrupção e a punição dos culpados. Nunca na história um juiz federal de primeira instância, como Sérgio Moro, teve tratamento de herói nacional e foi tão encorajado como desta vez. De cambulhada, as manifestações refutaram a tese do governo Dilma e dos dirigentes do PT de que as investigações são seletivas e de que carregam só para um lado.

Além das palavras de ordem
Além das palavras de ordem

Não apareceram apelos explícitos por mais emprego, pelo retorno do crescimento econômico, controle da inflação e saneamento das contas públicas. Mas foi a insatisfação geral com a condução da economia que permeou tudo.

A presidente Dilma, que faz questão de dizer que seu governo é para todos os brasileiros e não apenas para o PT, foi duramente cobrada. E teve uma reação pífia. Em nota lacônica assinada pela Secretaria de Comunicação Social não conseguiu mais do que afirmar que as manifestações demonstraram o caráter pacífico e democrático da população. Essa nota revela a perplexidade do governo Dilma e a falta do que entregar em resposta à pressão das ruas.

Os principais artigos em falta na lojinha presidencial não são bons projetos para resgatar os fundamentos da economia e a retomada do crescimento econômico, mas sim liderança política e capacidade de inspirar confiança.

O desgaste do governo é tão grande que não há quem aposte em que a presidente Dilma seja capaz de comandar uma virada. A única proposta dentro do governo é nomear o ex-presidente Lula para um cargo de ponta no ministério, menos para blindá-lo contra o cerco da Justiça e mais como tentativa de tomar a iniciativa. No entanto, vulnerável como está o ex-presidente Lula, é difícil de ver nessa hipótese alguma possibilidade de sucesso.

Os dirigentes do PT ainda reivindicam um cavalo de pau na política econômica, mas é do jeito deles, com propostas descabidas, que já deram errado e que não têm nenhuma possibilidade de eficácia se o objetivo é garantir a volta da confiança.

Daí por que as possibilidades de solução para o impasse, pelo menos por enquanto, estão no afastamento da presidente Dilma, ou pela cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral, ou pelo encaminhamento do processo de impeachment, ou pela renúncia. O presidente do Senado, Renan Calheiros, ainda sugere uma espécie de parlamentarismo branco, que deixaria a presidente ainda de posse da faixa presidencial, mas de cargo esvaziado. Trata-se de uma opção casuísta, de duvidosa viabilidade jurídica.

Embora tenham sido repelidos nas manifestações, são os políticos que agora são chamados a buscar uma saída. Falta saber se estão à altura do que deles se espera neste momento. Além disso, ainda estão condicionados a imprevisíveis movimentos da Operação Lava Jato.

De todo modo, prevalece a percepção de que o Brasil começa a amadurecer. As instituições de Estado se fortalecem.

CONFIRA:

IBC-Br
IBC-Br

Aí está a evolução do Índice da Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, que é uma indicação prévia do comportamento do PIB.

Piorou

O recuo do IBC-Br em janeiro, de 0,61% em relação a dezembro e de 4,44% no período de 12 meses terminado em janeiro, foi mais profundo do que o esperado. Mostra que a atividade econômica continua em franca deterioração em 2016 e torna mais difícil uma recuperação ainda este ano. Parece inevitável que essa forte queda se reflita em aumento do desemprego.

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