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O maior tombo das montadoras na era PT

- Atualizado:07 Janeiro 2016 | 04h 00

Desde 1987, no governo Sarney, quando as vendas de veículos novos nacionais caíram 33,1% em relação a 1986, não havia um recuo tão grande nos licenciamentos de veículos – 26,5% entre 2014 e 2015, incluindo importados. O ano de 2015 marcou uma queda recorde de licenciamentos nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), que sempre procuraram amparar as montadoras de veículos e ressaltar sua importância como geradoras de empregos de boa qualidade.

A queda é contínua desde 2012, quando 3,8 milhões de veículos nacionais e importados foram licenciados. As vendas caíram para 3,7 milhões de unidades em 2013, para quase 3,5 milhões em 2014 e não chegaram a 2,57 milhões no ano passado. Se no ano o recuo foi de 26,5%, em três anos alcançou 32,4%. Mas foi em 2015 que a intensidade da queda ganhou ares dramáticos, quando as vendas de veículos foram 1,23 milhão inferiores às de 2012 e 930 mil menores do que as de 2014.

Os motivos da queda são conhecidos, começando pela recessão que destrói a confiança dos trabalhadores, passando pelo endividamento geral, muitas vezes a juros proibitivos, a inflação superior a 10% e o temor do desemprego.

Mas não se pode ignorar que as benesses fiscais propiciadas às montadoras (e aos consumidores) provocaram uma antecipação das compras. Com a remoção dos incentivos, o mercado tende a sofrer mais no curto prazo. A expectativa é uma nova queda de vendas em 2016, mas menos intensa do que a de 2015. Especialistas projetam um recuo não superior a um dígito.

Com uma carga tributária que chega perto dos 40% para os modelos nacionais mais caros, os veículos brasileiros estão entre os mais taxados do mundo, competindo com os vendidos nos países da União Europeia, onde a renda per capita é bem mais elevada.

Ainda assim, as seções especializadas dos jornais preveem aumentos de preço neste ano, o que afastará consumidores do sonho do carro próprio. O pagamento do saldo do 13.º salário não animou o consumidor de veículos nem de outros bens duráveis de consumo.

Em 2012, o Brasil era o quarto maior mercado mundial de veículos, abaixo apenas da China, dos Estados Unidos e do Japão – e chega agora ao sétimo lugar. Sem boas perspectivas na economia, os investimentos do setor serão escassos, o corte de pessoal está longe de ser improvável e a receita tributária originária do segmento tende a ser insatisfatória.

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