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Economia

Celso Ming

O mergulho continua

Os novos indicadores divulgados nesta sexta-feira são fortemente negativos para o desempenho da economia brasileira nos próximos meses

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Celso Ming

15 Janeiro 2016 | 21h00

Os novos indicadores divulgados nesta sexta-feira, 15, são fortemente negativos para o desempenho da economia brasileira nos próximos meses. Isso pode não ser novidade, mas reforça tendência.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) procura antecipar o desempenho do PIB que apenas em mais alguns meses as Contas Nacionais do IBGE vão apontar com mais precisão. Não é tão preciso como os cálculos da evolução do PIB, mas seus 13 anos de existência mostram que passa bom nível de confiabilidade.

Os números divulgados nesta sexta-feira são de novembro. Apontam uma queda da atividade econômica de 0,52% em relação à posição de outubro, recuo menor do que vinha sendo esperado. A baixa acumulada do ano até novembro é de 3,88% e no período de 12 meses, de 3,63%. São essas magnitudes que servem de referência para o que terá sido 2015, cálculo a ser divulgado apenas em 3 de março: queda do PIB de 3,7% a 4,0%.

Indica também o chão e a força de arrasto, também negativos, para o desempenho do PIB deste 2016: as previsões do mercado apontam para queda de 2,99%; no último Relatório de Inflação, o Banco Central projetou recuo de 1,9%, mas, como sempre, está subestimando o que vem vindo aí. Se ao menos houvesse fatos novos que indicassem uma recuperação a caminho, bem que caberia mais otimismo. Infelizmente, não há.

O outro indicador ontem divulgado foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios- Contínua, a Pnad Contínua, elaborada pelo IBGE. É um levantamento mais abrangente da situação do mercado de trabalho e da renda do trabalhador do que o dos índices de desocupação, levantados mensalmente em apenas seis regiões metropolitanas do País. No trimestre móvel encerrado em outubro, o desemprego estava a 9% da força de trabalho (veja o Confira), apenas um tico mais alto do que o aferido em setembro (8,9%).

É um indicador consistente com o apontado pelo IBC-Br. Quando a atividade econômica se retrai, o mercado de trabalho se enfraquece com ela. E se a perspectiva é de mais retração, como a que vem sendo prevista para 2016, também parece inevitável um avanço do desemprego nos próximos meses.

Paradoxalmente, o rendimento médio real vem caindo relativamente pouco, apenas 1,0% quando medido no período de 12 meses. A forte indexação (correções automáticas pela inflação passada) explica em parte esse fenômeno. É o que, por sua vez, pode ajudar a explicar também por que a inflação vem sendo bem mais alta do que o Banco Central pretendia obter com sua política de juros.

Para enfrentar essa retração há três objetivos macroeconômicos a atingir: volta ao equilíbrio das contas públicas; controle da inflação; e melhora das condições do investimento.

O problema é que isso implica transferência de uma conta enorme para a sociedade que, no entanto, refuga esse receituário, porque o jogo político é um desastre e porque os dirigentes do País não inspiram confiança.

CONFIRA:

Evolução da desocupação no País tal como medida pela Pnad Contínua.

 

Despencou

Nesta sexta-feira, as cotações internacionais do petróleo despencaram para abaixo do nível dos US$ 30 por barril. Não adianta procurar um fator novo a que atribuir esse efeito. A explicação dos analistas internacionais é a de que ficou iminente o despejo de até 2 milhões de barris diários pelo Irã, que vai se livrar do boicote comercial. Mas é fator já esperado. Só não se sabia que seria para já. A causa mais importante é o que também se sabe: sobra petróleo no mundo.

 

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