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O patrimônio em ações cai mais rapidamente no Brasil

- Atualizado:06 Janeiro 2016 | 02h 55

A recessão econômica de 2015 arrastou para baixo não apenas renda, emprego, produção e consumo, mas também o valor das empresas com ações negociadas em bolsa. Entre as bolsas latino-americanas, o Brasil ficou em má posição, melhor apenas que a Colômbia. O valor das ações negociadas no Brasil diminuiu US$ 333,7 bilhões, de US$ 797,5 bilhões em dezembro de 2014 para US$ 463,7 bilhões em dezembro de 2015, segundo a consultoria Economática. Em razão da valorização do dólar, os números em reais são melhores (a queda do valor de mercado foi de 13,3% em reais e de 41,9% em dólar). Ainda assim, são substanciais e devem ser bem avaliados.

O valor de mercado das ações oscila conforme a procura e a oferta de títulos negociados em bolsa, que por sua vez depende de informações sobre a situação econômico-financeira das empresas emitentes. Não é medida de perdas e ganhos imediatos, pois eles só ocorrem quando o aplicador negocia os papéis. É indicador do patrimônio dos investidores, que, por isso, se sentiram mais pobres no ano passado.

A Ambev, por exemplo, a mais valorizada das empresas cotadas no País, com valor de mercado de US$ 95,9 bilhões em dezembro, perdeu 25% do valor em dólar em 2015, mas ganhou quase 10% em reais. Em dólar, seu valor é quase três vezes superior ao da Petrobrás (US$ 25,9 bilhões). Em 2015, o valor de mercado da Petrobrás caiu 46% em dólar e 20% em reais e o da Vale diminuiu 61% em dólar (para apenas US$ 15,8 bilhões) e 42% em reais.

O valor de mercado ajuda a medir o grau de confiança dos investidores nos resultados futuros de uma empresa. É, também, medida que facilita a comparação com outros mercados. Na região, os maus resultados da Colômbia se deveram, em parte, à queda das ações da Ecopetrol, mais acentuada que a da Petrobrás. Em dólar, as quedas das ações negociadas no Chile, na Argentina e no México não chegaram a 20%.

Com a desvalorização do real, o valor de mercado das 289 empresas com ações negociadas no Brasil era, em 2015, inferior ao de uma única empresa americana (Google, com US$ 528 bilhões). Em 2014, o valor de mercado de 304 empresas abertas do País correspondeu a 42,6% do valor das empresas negociadas nas bolsas latino-americanas; no ano passado, a 36,2%.

Os indicadores macroeconômicos brasileiros foram menores que os dos países da região. A bolsa não foi exceção.

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