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O peso dos prefixados na dívida mobiliária federal

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2014 | 02h 04

A dívida mobiliária federal cresceu 3,43% entre abril e maio, de R$ 2,052 trilhões para R$ 2,122 trilhões ou R$ 70 bilhões, pela demanda de papéis prefixados - cuja participação no total aumentou de 38,66% para 39,68%. É conhecida a preferência dos aplicadores estrangeiros por papéis prefixados. Mas a participação desses investidores no conjunto da Dívida Pública Federal diminuiu 0,57 ponto porcentual no mês, de 18,79% para 18,22%, enquanto se mantinha praticamente estável o saldo por eles aplicado, pouco inferior a R$ 370 bilhões em maio.

O aumento do peso dos prefixados se encaixa no Plano Anual de Financiamento (PAF), que indica os parâmetros que o Tesouro Nacional pretende para cada tipo de papel. O objetivo é ter um mínimo de 40% de prefixados, considerados de menor risco pelos administradores da dívida.

O coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, atribuiu a demanda de títulos prefixados ao fim do ciclo de alta do juro básico, de 7,25% ao ano para 11% ao ano. Em maio, a colocação líquida de prefixados foi de R$ 42 bilhões - e de apenas R$ 9,3 bilhões em títulos com taxa flutuante, ou seja, corrigidos pela taxa Selic.

O custo médio da dívida acumulado em 12 meses subiu ligeiramente, de 11,13% ao ano para 11,18%, num período de elevação da taxa Selic. Isso se explica pela composição da dívida, que reflete, com defasagem, as alterações nas taxas de juros.

Em anos eleitorais, a administração da dívida pública costuma ser mais tensa do que tem sido até agora. A relativa tranquilidade se deve ao fato de que parece improvável uma alteração de política, no caso de vitória da oposição. Garrido espera que a participação dos estrangeiros na dívida volte a crescer nos próximos meses.

Embora em pequena escala, a mudança observada diz respeito à preferência por papéis de prazo mais curto. O prazo médio da dívida encolheu ligeiramente, de 4,51 anos em abril para 4,43 anos em maio. E o volume de títulos cujo vencimento se dará nos próximos 12 meses aumentou de 25,52% para 28,74%, dos quais 54,89% são prefixados.

Neste mês haverá um aumento extraordinário de R$ 30 bilhões nas emissões de títulos. Estes serão remetidos ao BNDES e colocados no mercado para atender à demanda de empréstimos. A operação onera o Tesouro, pois o BNDES devolve com o valor corrigido apenas pela TJLP, de 5% ao ano.

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