Otavio Magalhães/Estadão (26/8/1994)
Otavio Magalhães/Estadão (26/8/1994)

José Fucs, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 05h00

Ao longo de mais de meio século de vida pública, Roberto Campos (1917-2001), que completaria 100 anos nesta segunda-feira, dia 17, participou ativamente de alguns dos momentos mais marcantes da história do País. Como diplomata, economista, senador e deputado federal, ele teve uma trajetória admirável e acumulou realizações expressivas nas inúmeras atividades que exerceu no governo (ver o quadro abaixo).

O maior legado de Roberto Campos, porém, foi no mundo das ideias. Ele foi um dos maiores defensores do liberalismo no País, provavelmente o maior. Encarnou, mais que ninguém, o papel de pregador incansável do pensamento liberal e usava de fina ironia para combater o comunismo, o socialismo e o esquerdismo de botequim. Até hoje, quinze anos após sua morte, continua a ocupa um lugar de destaque nos corações e mentes dos seguidores do liberalismo no Brasil.

“Ele lançou a semente do Estado minimalista no País, numa época em que o Estado era tudo na economia”, diz Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio e ex-presidente do Banco Central. “O Roberto Campos era muito mais que um economista e tinha uma visão além de seu tempo sobre a organização do Brasil como economia de mercado.”

Num período em que a defesa do liberalismo era vista como uma espécie de heresia, Campos pregava quase no deserto. Apesar de perseguido pelas esquerdas, que o viam como “entreguista”, o que lhe rendeu o apelido jocoso de “Bobby Fields”, nunca fraquejou. Tinha a convicção de que a economia de mercado, a concorrência interna e externa e o Estado mínimo eram a melhor maneira de promover o desenvolvimento sustentável e a prosperidade geral da população, e não se constrangia em expressá-la a qualquer tempo e lugar. “A primeira coisa a fazer no Brasil é abandonar a chupeta das utopias em favor da bigorna do realismo”, disse certa vez.

Nos primórdios de sua vida pública, quando o processo de industrialização ainda não havia se consolidado no País e faltavam capitais privados para alavancar o desenvolvimento, Roberto Campos rezava por outra cartilha. Seguia as ideias do economista britânico John Maynard Keynes, que apoiava a intervenção do Estado na economia, para estimular o crescimento. Foi Campos, em boa medida, o responsável pela criação de diversas estatais, como a Eletrobrás e a Siderbrás, quando estava à frente do Planejamento. “O Roberto Campos foi o grande construtor do monstro estatal no Brasil”, afirma o diplomata Paulo Roberto de Almeida, diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri) e organizador do livro O homem que pensou o Brasil, sobre a trajetória e as ideias de Campos (leia texto ao lado).

Mas, mesmo nessa fase, Roberto Campos já era um fiscalista e combatia a gastança sem lastro do dinheiro público. Acreditava que o controle da inflação era fundamental para alavancar o crescimento sustentável da economia e garantir a preservação da poupança popular. Logo depois que a Petrobrás foi criada, em 1953, no segundo governo Vargas, Campos também se tornou um crítico contundente do monopólio garantido à empresa no setor.

Ele acreditava que a falta de concorrência geraria acomodação e ineficiência e que a não realização de parcerias com empresas estrangeiras dificultaria a exploração de petróleo pelo Brasil, como acabou acontecendo. Só depois, de acordo com Almeida, Campos se deu conta de que o Estado não era aquela maravilha que havia imaginado. Posteriormente, nos anos 1990, passaria a apoiar até a privatização da Petrobrás, que ele chamava de Petrossauro, ainda hoje um tabu. “Em 1964, ele construiu o Estado brasileiro, que depois ele veio a renegar, acusar e combater”, diz.

Sua conversão foi embalada pela onda liberalizante que ganhou o mundo nos anos 1980, com a queda do Muro de Berlim e os governos de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, e de Margaret Thatcher, no Reino Unido. O economista e consultor Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura, conta um episódio ocorrido quando ambos eram deputados federais, que ilustra bem a transformação pela qual Roberto Campos passou depois que saiu do Planejamento. “Um dia, na Câmara, sem nenhuma razão, ele me disse: ‘Delfim, perdi muito tempo. Só deveria ter lido Hayek’.” O economista Fredrich Hayek (1899-1992), ligado à chamada Escola Austríaca, de linha ultraliberal, era defensor do Estado mínimo e um dos inspiradores de Thatcher.

Campos foi colunista do Estado entre 1988 e 1995. Seus artigos eram publicados tradicionalmente na página 2, no domingo. Seu primeiro artigo, intitulado Gorbatchev: reformista ou revolucionário foi sobre as reformas na União Soviética. O último, intiulado A rua e o quintal, era uma crítica ao protecionismo, na qual dizia que o Brasil não podia se dar ao luxo de ficar fora do mundo.

Ele morreu em 2001 e não viveu para ver a crise profunda que atingiu a economia do País, em decorrência das políticas estatistas implementadas durante os governos do PT, nem a multiplicação dos escândalos de corrupção em empresas estatais ocorrida no período. Segundo o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea, uma empresa de investimento, o aniversário de 100 anos de Roberto Campos deveria servir para resgatar as suas ideias, de redução da presença do Estado na economia. “O Roberto Campos estaria repetindo o que disse a vida inteira, que o Brasil andou para trás”, afirma Fraga. “Hoje, há uma janela de oportunidade para consertar esse modelo que não deu certo.”

 

 

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José Fucs, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 05h00

Para marcar o aniversário de 100 anos de Roberto Campos, dois novos livros sobre a sua vida e as suas ideias serão lançados nesta segunda-feira, 17 – “O homem que pensou o Brasil”, organizado pelo diplomata Paulo Roberto de Almeida, e “Lanterna na proa”, organizado pelo economista Paulo Rabello de Castro e pelo advogado tributarista Ives Gandra da Silva Martins.

Os dois livros reúnem impressões e análises de personalidades da diplomacia, da economia, da política e da cultura, que conviveram com Roberto Campos, em maior ou menor grau, ao longo de sua trajetória de mais de meio século de vida pública. Ambos também procuram destacar a atualidade de suas ideias, num momento em que o Brasil tenta superar, mais uma vez, os males causados pela adoção das velhas fórmulas econômicas que ele tanto contestava – o estatismo, o protecionismo e o populismo. De certa forma, as duas obras se completam e juntas traçam um perfil detalhado de um dos personagens mais brilhantes e controversos da nossa história.

Além dos dois lançamentos – ambos marcados para amanhã, às 19h, na livraria Argumento, no Rio de Janeiro –, será realizado um seminário aberto ao público na terça-feira, no Palácio Itamaraty, também no Rio, para discutir a trajetória e o pensamento de Roberto Campos.

Leia nas reportagens a seguir trechos dos dois livros obtidos com exclusividade pelo Estado.

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Paulo Roberto de Almeida*, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 05h00

“Se formos reler, hoje, o Roberto Campos dos ensaios econômicos mais elaborados dos anos 1950, o publicista dos artigos semanais nos grandes jornais do Rio e de São Paulo nas décadas seguintes e até o final do século, constataremos que tudo o que ele escreveu, tudo o que ele proclamou, tudo pelo que ele se bateu, insistiu e até conseguiu implementar, pelo menos parcialmente, retornou como um pesadelo a frequentar o cérebro das gerações presentes das formas mais inesperadas e em uma rapidez surpreendente.

Ele foi, “felizmente”, poupado do desgosto de assistir à enorme destruição de riqueza(...) causada pela política econômica irresponsável dos companheiros que ascenderam ao poder em 2003, por haver falecido dois anos antes. Em face dos cenários de terra arrasada, ele teria de reescrever, com poucas mudanças substantivas, seus artigos de décadas passadas, quando alertava continuamente para o perigo do “meio sucesso” ou do “meio fracasso” – uma situação na qual o país não conhece o pleno sucesso da estabilização, que induziria reformas suplementares e criaria o clima de confiança necessário para alimentar um processo de crescimento sustentado, nem a ruína do fracasso completo, que comandaria, sem hesitação, a realização de reformas estruturais radicais.

Roberto Campos é provavelmente único, por suas características pessoais e por suas posições independentes, no seio de um grupo bastante reduzido de intelectuais públicos no Brasil: o dos livres-pensadores. Mais ainda: dentro dessa pequena família, ele se filia a uma espécie ainda mais escassa, a dos rebeldes com causa, a dos que não se prendem a qualquer escola oficial, a dos que se recusam a deixar de exibir pensamento próprio apenas porque são servidores do Estado, a dos que pensam fora dos dogmas oficiais, das verdades estabelecidas e dos lugares comuns.

Roberto Campos nunca se esquivou de denunciar as falácias da demagogia política e do populismo econômico, assim como da repartição de benesses sem apoio no realismo econômico. Não hesitou em renunciar a posições oficiais (a presidência do BNDE e a chefia da embaixada em Washington) quando achou que não podia sustentar posturas irresponsáveis. Ele também foi único, em sendo diplomata, em não hesitar em criticar – até de forma irônica – as tomadas de posição equivocadas do Itamaraty e dos governos militares no plano externo.

Ele foi aquele que viu antes, mais e melhor do que qualquer outro de sua geração ou mesmo das gerações atuais, um intelectual que pensou o Brasil de forma tão completa, tão dedicada e tão racional que ele ainda está presente, integralmente, nas soluções que nossa geração precisa encontrar para os problemas atuais, com base nas mesmas recomendações que ele teve o cuidado de formular décadas atrás.

Ele foi um “profeta responsável”, como se denominou ao final de seu livro de memórias, um empreendimento inigualado na literatura brasileira e que deveria ser leitura quase compulsória para todos os candidatos a integrar a tecnocracia nacional Aos cem anos, Roberto Campos ainda vive.”

SERVIÇO:

Obra: O homem que pensou o Brasil

Autor: Paulo Roberto de Almeiza (organizador)

Editora: Appris

Preço: R$ 65 (edição impressa) e R$ 18 (edição digital

*PAULO ROBERTO DE ALMEIDA, ORGANIZADOR DO LIVRO “O HOMEM QUE PENSOU O BRASIL”, É DIRETOR DO INSTITUTO DE PESQUISA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS (IPRI)

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Paulo Rabello de Castro*, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 05h00

"Roberto Campos foi, sem dúvida e sem qualquer demérito aos demais atores de um grande elenco de artífices da “arrancada” brasileira, o mais importante conceituador e realizador da magna obra desenvolvimentista do Brasil republicano. Embora nunca tenha detido a última palavra, pois jamais chegou à Presidência da República, Campos fez uso, como assessor de governos, diretor de banco público e ministro do Planejamento, de todas as armas da persuasão para influir no pensamento de quem comandava politicamente a República, seja como organizador do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, o BNDE, passando pela conceituação do Plano de Metas do governo JK, seja articulando o mal conhecido “programa de governo” no efêmero regime parlamentarista de Tancredo Neves (1962), até a sequência magistral de modernizações institucionais conduzidas no período de Castelo Branco.

Ao deixar o governo, no início de 1967, ele se tornaria assistente passivo de um desmoronamento inelutável do impulso de crescimento acelerado do País, condição essencial à inclusão permanente das chamadas “massas pobres” ao circuito de afluência dos mercados e da acumulação de capital. O Brasil viu seu sonho de desenvolvimento escorregar, devagar, mas inexoravelmente. Contudo, quer como senador constituinte, quer como deputado federal, até pouco antes de sua definitiva saída de cena, em 2001, com 84 anos, Roberto Campos não arredou pé de sua insistente e monocórdica peleja por fazer o Brasil reencontrar o rumo coletivo. Ele ficava sonhando a possibilidade de um “ressurgimento”, talvez reminiscência da sua formação cristã, assentada na esperança da ressurreição.

O desiludido mestre do desenvolvimento ainda teve tempo de conferir a justeza dos seus piores presságios. Num texto publicado em obra coletiva, pelos idos de 1974 (Ensaios econômicos, APEC Editora), Campos escreve um premonitório texto, despojado da conhecida veia irônica, sobre o que chama, não sem um quê dramático, de “A teoria do colapso”.

Roberto estava, mais uma vez, sofrendo de aguda premonição do que estaria por vir. Ao provocar a celeuma sobre a “arrancada interrompida”, muito antes do tempo de maturação da tragédia que se seguiria, sua teoria do colapso foi recebida e lida com respeitosa indiferença. Campos se apoia em Samuel Huntington (Political Order in Changing Societies, Yale University Press, 1968) para construir sua teoria. Parafraseando Huntington, admite como teorema principal que “a modernidade traz estabilidade, mas o processo de modernização deflagra instabilidade”. As aspirações do povo se expandem geometricamente, enquanto a racionalidade política se vai adquirindo apenas em evolução aritmética. Assim conclui Roberto Campos, ao estabelecer uma equação profética do colapso do crescimento acelerado do Brasil, vergado pelas incontidas, embora compreensíveis, demandas sociais acumuladas e concedidas em Carta Magna pelos constituintes de 1988.”

SERVIÇO:

Obra: Lanterna na Proa - Roberto Campos ano 100

Autores:Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Rabello de Castro (organizadores)

Editora: Resistência Cultural

Preço: Não divulgado

* PAULO ROBERTO DE ALMEIDA, ORGANIZADOR DO LIVRO “O HOMEM QUE PENSOU O BRASIL”, É DIRETOR DO INSTITUTO DE PESQUISA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS (IPRI)

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Antonio Delfim Netto*, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 05h00

Nos anos 50 do século passado, a Associação Comercial do Estado de São Paulo (Acesp) abrigava um Conselho Econômico do qual participavam alguns comerciantes estrangeiros, politicamente liberais, com sólida formação acadêmica e enorme prática internacional. Nele, discutia-se qual seria a política econômica mais conveniente para o desenvolvimento do Brasil, como o possível uso de uma taxa de câmbio flutuante. Às vezes convidava-se um economista independente para fertilizar os debates. Um deles, em 1955, foi Roberto de Oliveira Campos, um diplomata economista, já então conhecido por sua inteligente verve e sua concepção de um Estado regulador amigável com o setor privado, fórmula para a construção de uma sociedade civilizada, capaz de organizar-se em liberdade para perseguir uma razoável igualdade de oportunidades.

A palestra foi um enorme sucesso e justificou a expectativa que o precedeu. Ali, eu o conheci pessoalmente. Com reencontros intermitentes, fomos construindo uma respeitosa amizade nos 10 anos seguintes. Quando ele apresentou o Paeg (Programa de Ação Econômica do Governo) , em 1964, ela se solidificou. Começamos a ter contato cada vez mais estreito, porque me engajei na defesa do programa. Ele e o grande professor Octávio Gouvêa de Bulhões me convidaram para participar do Conselho Nacional de Economia. Foi o começo de minha vida pública.

Logo depois, com a intervenção em São Paulo, em 1966, o ilustre Laudo Natel foi empossado Governador e me convidou para ser seu secretário da Fazenda. A minha amizade com Campos e Bulhões (a quem não substitui, apenas sucedi, no Ministério da Fazenda, em 1967) adquiriu, então, outra dimensão. Em 1982, tenho a impressão de que a minha insistência foi decisiva para que Roberto se candidatasse ao Senado por seu estado natal. Teve sucesso e nasceu um Senador brilhante, aplicado e combativo.

Roberto Campos foi, antes de tudo, um profundo pensador liberal, quando fora do governo, e um enorme regulador, quando nele. A partir do momento em que comecei a ter maior contato com Campos, ele mostrou grande admiração por Gunnar Myrdal, sociólogo, economista planejador e político e, como ele, um pensador universal e um desconstrutor de mitos. Durante muitos anos, sentamo-nos juntos na Câmara (ele, como eu, deputado, na época). Nós nos divertíamos com as propostas mirabolantes, em altos decibéis e baixo raciocínio, dos que se supunham de “esquerda” apenas porque ignoravam as limitações físicas que caracterizavam qualquer economia, mesmo as socialistas! Nunca fomos à tribuna porque era absolutamente inútil. A indignação de Campos no Congresso atingiu o seu máximo quando o Dr. Ulysses, protegendo um velho financiador do MDB, devedor contumaz que se apropriava indebitamente da contribuição de seguridade social de seus trabalhadores, apoiou a aprovação do que ele chamou de “a regressão ao século XIII”: a fixação da taxa de juro real na Constituição de 1988.

Já avançados na vida, um dia, na Câmara, sem nenhuma razão, me disse: “Delfim, perdi muito tempo. Só devia ter lido Hayek”. Interessante: Myrdal e Hayek que, de certa forma, se relativizam e se complementam, repartiram o Nobel de Economia, em 1974.

A maior batalha perdida por Campos foi a sua luta, premonitória, aliás, contra a política nacionalista míope da exploração do petróleo gestada por inspiração do estamento militar, com a criação da Petrobras, que ele chamava de “Petrosaurus”. Premonitória porque em 1979, 25 anos após a vitória do “petróleo é nosso”, produzíamos apenas 20% do petróleo que consumíamos! O nosso desenvolvimento começou a murchar quando o Cartel do Petróleo (do qual havíamos sido avisados em 1972, e não demos ouvido) foi bem sucedido no aumento de preço do produto. A explosão do valor das importações era impossível de ser acompanhada pelo aumento do valor das exportações. Obrigou-nos a um endividamento insustentável no governo do general Geisel (1975-79) que sempre fora um intransigente defensor do “petróleo é nosso”. Entre 1947 e 1980 o PIB cresceu a 7,5% ao ano; de 1981 a 2016, apenas 2,4%!

Com uma memória formidável, Campos era um narrador que encantava e um incrível adaptador de piadas. Sabia que a vida era um acidente irrecorrível e que, portanto, era preciso gozá-la intensamente. Com ele, foi-se boa parte da inteligência, da alegria de viver e da coragem brasileiras!

*Antonio Delfim Netto, economista e consultor, foi deputado federal e ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura

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