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O primeiro-ministro

A proposta de transformar o ex-presidente Lula em uma espécie de primeiro-ministro ou de superministro já é tentativa aflita do governo Dilma de se agarrar a alguma coisa

Celso Ming

O texto desta Coluna foi encaminhado às oficinas antes de se saber se o ex-presidente Lula aceitou oficialmente ou não sua indicação ao Ministério.

Independentemente disso, a proposta de transformar o ex-presidente em uma espécie de primeiro-ministro ou de superministro já é tentativa aflita do governo Dilma de se agarrar a alguma coisa.

Lula. Superpoderes?
Lula. Superpoderes?

Paradoxalmente, não deixa de ser uma variação do projeto do presidente do Senado, Renan Calheiros, de oficializar um regime parlamentarista branco, cujo objetivo mais importante é esvaziar o poder da presidente Dilma e evitar o impeachment.

Se confirmada a condição de ministro com poderes especiais, Lula tende a acirrar contradições e não a dissolvê-las. O projeto veio carregado de dois objetivos: livrar o ex-presidente da vara do juiz Sérgio Moro; e salvar a atual vida política da presidente.

O primeiro objetivo tem lá sua fragilidade. Pode garantir foro privilegiado para Lula junto ao Supremo, mas não blindaria sua família, que também está enrolada nas denúncias. Além disso, o Supremo sempre pode suspender a imunidade de um ministro.

A ideia de que a simples atuação do ex-presidente é suficiente para reverter o processo de impeachment vem carregada do mesmo viés voluntarista que tem caracterizado a condução da política econômica. De acordo com esse entendimento, para poder, basta querer e fazer acontecer. A esta altura, essa abordagem pode não ser suficiente.

Como o ex-presidente Lula tem declarado, para ele não é suficiente uma atuação firme na área política; é preciso mudar tudo na economia. Este Lula, no entanto, não é o mesmo que assinou a Carta ao Povo Brasileiro em 2002. É quem respalda o modelão do PT: uma tentativa de reeditar a desastrada Nova Matriz Macroeconômica operada pela dupla Mantega-Augustin.

Se for isso, parece inevitável que o ministro Nelson Barbosa seja alijado ao mar o mais rapidamente possível. Ele já foi condenado pelos dirigentes do PT, apenas três meses depois de sua condução ao Ministério da Fazenda ter sido por eles festejada. Como se sabe, o candidato in pectore do ex-presidente Lula à Fazenda é o ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles. Mas ainda está para se saber se, nas atuais circunstâncias, Meirelles aceitaria abraçar esse tronco em brasa. E, mesmo se aceitasse, dificilmente sua política seria diferente da que pretenderam implantar, com quase nenhum sucesso, Joaquim Levy e Nelson Barbosa.

A proposta de queimar reservas, em que os dirigentes do PT vêm insistindo, tem graves obstáculos, até mesmo se o objetivo fosse reduzir a dívida. Primeiramente, seria preciso saber como ativos em moeda estrangeira do BC poderiam ser repassados ao Tesouro para que este ou reduzisse a dívida em reais ou os usasse em projetos de desenvolvimento, sem atropelar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Em segundo lugar, como as reservas estão em moeda estrangeira, seria preciso encontrar comprador para elas que pagasse em reais, sem que essa operação deixasse de produzir enorme valorização da moeda nacional.

Toda essa operação de salvamento parece mal montada. Há ainda os fatos novos e as consequências da outra operação, a Lava Jato, e os das novas delações premiadas.

CONFIRA:

Pnad
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Veja como evoluiu o índice de desocupação, medido pelo IBGE por meio da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad - Contínua).

Mais desemprego

O último trimestre do ano é, em geral, um período de aumento do emprego, pela ocupação de mais mão de obra na produção e nas vendas de fim de ano. E, no entanto, o índice de desocupação ficou ligeiramente mais alto. É prenúncio de que aumentará nos trimestres seguintes. Este é um indicador particularmente sensível do ponto de vista político, especialmente num ano eleitoral como este.

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