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O quadro preocupante do emprego na indústria

O Estado de S.Paulo

24 Junho 2014 | 02h 04

No mesmo dia em que o ministro Guido Mantega e a presidente Dilma Rousseff decidiram baixar o "pacote" de medidas estimuladoras da indústria, a Fiesp anunciava que o setor demitiu 12,5 mil trabalhadores em maio.

É claro que se trata de mera coincidência, e não de uma conspiração da imprensa, ou da Fiesp, contra o governo. Em todo caso, fica mais ou menos claro que o "pacote" de estímulo à indústria chegou tarde e, por isso mesmo, talvez fraco.

O economista Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria, opinou que o "efeito prático (das medidas) é bem pequeno, ou quase nulo", até porque algumas das medidas anunciadas foram apenas prorrogações de programas já em funcionamento.

Um outro economista, Flávio Serrano, do Banco de Investimentos Espírito Santo, também opinou que "não me parece algo novo, que venha a produzir impactos importantes na economia. Não critico a medida em si, mas não é isso que vai salvar a indústria".

O uso da expressão "salvar a indústria" denota quão séria tem sido a preocupação com a curva de desempenho do setor industrial.

Um gráfico publicado pelo Estado, no mesmo dia do anúncio da Fiesp, mostrava que a variação porcentual mensal do emprego industrial em São Paulo (com ajuste sazonal) tem permanecido negativa praticamente desde julho de 2011, com poucos picos positivos no período. E desde janeiro de 2013 tem sido quase que só negativa, agravando-se do final de 2013 até agora.

Segundo o diretor de economia da Fiesp, Paulo Francini, maio assinalou a maior queda do emprego industrial desde 2006. Dos 22 setores em que a indústria está dividida, 5 contrataram, 14 demitiram e 3 permaneceram estáveis em maio.

Embora o saldo do ano ainda seja positivo, com 16 mil vagas preenchidas, a tendência predominante é declinante e, em 12 meses, foram fechadas 85 mil vagas na indústria.

Na área das micro e pequenas indústrias paulistas, o quadro não se mostra nem um pouco animador. Pesquisa do sindicato respectivo, o Simpi-SP, mostrava que 25% das empresas pretendiam demitir e 13%, admitir. A intenção de demitir começou a superar a de admitir em fevereiro e se agravou desde março.

Para o presidente do Simpi-SP, Joseph Couri, o cenário é mais grave e preocupante nas pequenas indústrias, pois elas empregam 1,5 milhão de pessoas e respondem por 60% do emprego industrial no Estado.

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