Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

O quarto da empregada virou escritório

Funcionária do Banco do Brasil em São Paulo foi 1ª a testar o modelo de home office na empresa

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

03 Agosto 2015 | 03h00

Quando o Banco do Brasil anunciou em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, que pretendia adotar o home office, dando prioridades às mulheres, Maria Aparecida Pereira de Souza, 27 anos de casa, se candidatou imediatamente. “Se for verdade, quero ser a primeira”, pensou. Dois meses depois, foi a primeira a ser convocada para a equipe inicial, de nove funcionários. A experiência do projeto-piloto está dando certo e servirá de base para expansão do modelo, até o fim do ano.

“É o emprego dos meus sonhos, trabalhando em casa, seis horas por dia, fazendo o que eu gosto”, disse Maria na sala de seu apartamento no bairro de Perdizes, antes de mostrar o escritório montado no quarto de empregada, espaço adaptado, com aprovação do serviço de Medicina do Trabalho do banco, que inspecionou o local. 

O escritório atende às condições impostas pelo banco: exigência mínima de equipamentos e configurações básicas. Iluminação, nível de ruído, desenho da cadeira e altura da mesa também passaram pelo crivo do pessoal de segurança e medicina do trabalho. É ali que ela cumpre o expediente, das 7h30 às 13h45, ligada aos colegas pela internet.

Maria tem a tarde livre. Os filhos, Rafael e Vítor, gêmeos de 17 anos, passam o dia na escola, o marido chega no fim da tarde, a diarista só trabalha na sexta-feira. O home office eliminou o desconforto de pegar ônibus e metrô para chegar à Avenida Líbero Badaró, no centro, onde funciona a área de informática do banco. “Agora, só vou à minha seção uma vez por semana, na quarta-feira.” 

Analista de sistemas, Maria e sua equipe desenvolvem aplicativos de alta plataforma. “O trabalho remoto é igual ao que fazia no banco, tenho o mesmo compromisso e a mesma disponibilidade”, diz a bancária. Bate ponto eletrônico pelo computador e se desliga quando o sistema encerra todos os aplicativos, no fim do expediente. Se for necessário executar tarefas extras, após a jornada ou nos fins de semana – o que ainda não ocorreu –, a gerência tem de autorizar o acesso aos equipamentos. 

Uma das vantagens do home office, na avaliação de Maria, é a redução do estresse. Além de não ter de depender de condução, quase duas horas por dia, há menos interferências. A qualidade de vida é maior. “Faço caminhada três vezes por semana, durmo melhor e sou sustentável, pois não gasto papel e consumo menos combustível.” 

A produtividade aumentou, alcançando os 15% de ganho estabelecido pelo diretor de Gestão de Pessoas, Carlos Netto. O Banco do Brasil tem ferramentas para medir o crescimento pelo computador. O aumento de produtividade é uma resposta dos funcionários à demonstração da confiança que o banco deposita neles, ao permitir que trabalhem em casa. Daí a satisfação de Maria com o modelo home office. Ligada aos colegas pelas mensagens de voz, áudio e videoconferências, ela se sente alinhada à tecnologia, no conforto de casa, sem perder o contato com a equipe.

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