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O que afetou o mercado imobiliário em junho

O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2014 | 02h 05

Se até o comércio varejista e o setor de serviços foram afetados pela Copa do Mundo, em junho, não seria absurdo esperar que o mesmo ocorresse com as vendas de imóveis, apuradas pelo sindicato da habitação (Secovi). Mas, se na cidade de São Paulo a queda atingiu 72,3% em relação ao mesmo mês de 2013 (de 3.872 para 1.072 unidades vendidas), nos demais municípios da região metropolitana de São Paulo houve um crescimento de 33,7%, de 1.723 para 2.303 unidades comercializadas.

O recuo do volume de negócios é explicado pelo número de feriados, pontos facultativos e folgas, mas também pela mudança do comportamento dos compradores. Estes, com a estabilização dos preços, têm ido mais vezes aos pontos de venda, mas também têm analisado com mais cuidado a aquisição. É o que se nota pela velocidade de vendas. Em junho de 2013, 64,9% das unidades ofertadas (quase dois terços) foram comercializadas nos primeiros 12 meses após o lançamento; em junho de 2014, foram apenas 51% (pouco mais da metade).

Os lançamentos de imóveis na capital, pesquisados pela Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), diminuíram 10% em relação a maio e 32,5% em relação a junho do ano passado. Mas é um indicador melhor do que o de vendas, mostrando que os incorporadores foram mais otimistas do que os mutuários finais. Na região metropolitana, excluída a capital, os lançamentos aumentaram 77% em relação a maio, chegando a 2.549 imóveis, porém houve queda de 10,4% em relação a junho de 2013.

Os indicadores imobiliários revelam a cautela de mutuários, em especial da classe média, e de incorporadores numa hora de incertezas econômicas. É possível que os resultados de julho também sejam desfavoráveis, por motivos semelhantes aos observados em junho e pela constatação de que o ritmo das atividades em geral mostra desaceleração, contrastando com o otimismo alardeado pela presidente Dilma Rousseff no horário eleitoral.

A atividade imobiliária depende do estado da economia - que não é animador. Os compradores têm de pensar duas vezes antes de se endividarem, mesmo com os juros módicos do financiamento habitacional.

A primeira comparação é entre o valor do aluguel e o valor da prestação do financiamento. Mas a dificuldade maior está em avaliar a capacidade de pagamento no longo prazo, às vezes por décadas, numa economia estagnada.

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