Amanda Perobelli| Estadão
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Mariana Lima, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 Março 2017 | 05h00

Empresas e governo precisam desenhar juntos estratégias para que o Brasil não fique de fora da nova era de objetos e indústrias conectadas. A conclusão fez parte das discussões do evento Fóruns Estadão: IoT e Infraestrutura, realizado na última quarta-feira pelo Grupo Estado, com apoio da Hitachi.

O debate abordou a importância da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e o impacto da tecnologia nos mercados nacional e global.

A tecnologia prevê que dispositivos dotados de sensores sejam conectados em rede. Esses objetos conectados vão de relógios de pulso a turbinas geradoras de energia, passando por robôs industriais. Dessa forma, máquinas podem trocar informações e ajustar sua ação sem necessidade de interferência humana.

A expectativa é que, com a expansão do IoT, setores e indústrias passem por transformações radicais em todo o globo.

Para Marcos Cintra, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o momento atual do País é de preocupação num cenário em que a produtividade é indispensável.

“Os índices hoje de produtividade do Brasil são vexatórios se comparados aos de outros países também em desenvolvimento”, afirmou Cintra.

Para ele, a má avaliação do Brasil em pesquisas mundiais sobre investimentos em áreas estratégicas para a competitividade e produtividade, como educação, acendem um sinal vermelho para o País, antes da chegada da tecnologia.

“Precisamos nos questionar se estamos preparados para essa tecnologia, num momento em que investimos apenas 1,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento e a Coreia do Sul investe 4%”, disse Cintra.

A participação tímida das empresas na implementação de IoT no Brasil também foi destaque no evento.

Márcia Ogawa, líder de tecnologia, mídia e telecomunicações da Deloitte Brasil, acredita que o principal desafio do País não será a infraestrutura de telecomunicações deficitária, mas a falta de investimento das empresas brasileiras em projetos de larga escala de IoT.

“Avaliando o mercado nacional como um todo, não estamos prontos para o IoT. Sabemos que há muitos setores que precisam dessa tecnologia, como o de logística, mas o empresário nacional investe pouco nessa oportunidade”, completou.

Mão de obra qualificada não deve ser grande problema para a adoção da tecnologia, na visão dos participantes do painel.

Empreendedorismo. Marcelo Sales, diretor de produtos e soluções da Hitachi na América Latina, ressaltou que startups brasileiras têm apresentado soluções importantes para setores estratégicos como o agronegócio.

Por outro lado, grandes empresas do País deveriam passar da fase de somente armazenar dados, para analisá-los e usá-los em seu favor.

A conectividade em áreas afastadas das regiões centrais é um dos desafios apresentados para o pleno funcionamento do IoT. Lourival Lippmann Júnior, pesquisador dos Institutos Lactec, apresentou a tecnologia Long Range (LoRa) como possível solução. A tecnologia prevê baixo consumo de energia e longo alcance.

“A aplicação do LoRa é tão barata que poderia ser usada na coleta de lixo, por exemplo. Com o sensor instalado, é possível ver se está ou não na hora de recolher os resíduos de determinada lixeira pública”, afirmou Lippmann. A tecnologia já é usada em cidades da Europa para organizar o estacionamento em vias públicas.

A adoção de IoT é considerada inevitável por especialistas. Kazuhiro Ikebe, diretor presidente da Hitachi na América do Sul, ressaltou a urgência. “A sociedade já está toda conectada pela internet. Mesmo sem querer, já vivemos a era do IoT.”

'IoT é essencial para a indústria sobreviver'

Líder global de consumo e produtos industriais da Deloitte, Tim Hanley disse que estudos feitos pela consultoria já apontam que a internet das coisas é vista como prioridade por grandes indústrias em todo o mundo.

“Estamos na fase de implementação da tecnologia, em que os custos de comunicação e de sensorização diminuíram muito. Os diretores de tecnologia com quem conversamos estão admirados com a quantidade de informações que já conseguiram analisar”, completou.

Entre as tecnologias mais promissoras, o especialista destacou o uso de inteligência artificial em fábricas, a adoção de robôs que trabalham em parceria com humanos e o uso em larga escala de drones em setores como a agricultura.

A nova indústria também deve ser marcada pela colaboração entre companhias. “Vemos ecossistemas de empresas sendo formados”, destacou o consultor.

 

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Mariana Lima, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 Março 2017 | 05h00

A chegada ao setor elétrico da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) é questão de tempo, disse Pedro Kurbhi, gestor executivo do grupo EDP no Brasil. Ele participou na quarta-feira do evento Fóruns Estadão IoT e Infraestrutura.

“Observando países em que o setor é mais amadurecido, conseguimos ter certeza de que o mercado brasileiro também vai ser impactado por IoT”, afirmou Kurbhi, durante painel sobre tráfego de dados, segurança e eficiência energética.

Por enquanto, segundo o executivo, o setor energético passa pelas primeiras etapas de transformar processos analógicos em digitais.

A aplicação de tecnologia para eficiência energética será indispensável para as cidades inteligentes nos próximos anos. Para os painelistas, o brasileiro já está acostumado a reduzir custos energéticos devido aos problemas de racionamento de energia vividos no início dos anos 2000.

Celso Motizuqui, gerente geral de vendas da Furukawa, lembrou que, até 2050, 80% da população mundial morará em áreas urbanas. A gestão de energia, portanto, será primordial para o funcionamento das cidades. Para isso, será necessária a implementação em larga escala da rede elétrica inteligente, também conhecida por smart grid.

Atualmente, são poucas as cidades brasileiras que contam com a tecnologia, que tem como característica automação da rede, melhora no controle da distribuição e redução dos tempos de falhas.

Cidades inteligentes. Melhorar a gestão da energia é fator-chave para garantir o funcionamento de municípios completamente conectados. 

A adoção do IoT deve transformar as cidades em espaços inteligentes (smart cities, em inglês). Conectividade e energia elétrica serão fatores primordiais para isso.

Anderson Dornelas, gerente de projetos de soluções de energia da Hitachi Consulting na América Latina, ressaltou a importância da energia elétrica nos próximos anos.

“Estimamos que, em alguns anos, a demanda por energia será semelhante à procura por água. A sociedade não conseguirá viver sem energia, nem mesmo por apenas alguns segundos”, acrescentou o executivo da Hitachi.

Os painelistas concordaram que a atual infraestrutura energética brasileira não conseguiria dar suporte a uma sociedade totalmente conectada.

Os investimentos em expansão dos projetos de smart grid para todo o território nacional ainda são um desafio para as empresas concessionárias de energia elétrica, disseram.

Maria Tereza Vellano, diretora de planejamento, engenharia e obras de distribuição da AES Eletropaulo, afirmou que as principais dificuldades estão relacionadas aos custos dessa tecnologia.

“O principal desafio é o custo dos equipamentos. Mesmo os produtos locais são muito caros, o que dificulta a expansão. Para se ter uma ideia, o medidor inteligente usado num smart grid custa R$ 800, enquanto o convencional sai por R$ 70”, explicou. 

A crise econômica brasileira foi apontada pelos participantes como um dos fatores que inibem os investimentos.

Proteção. Com a rede elétrica totalmente conectada, sua segurança torna-se um desafio. “Além de decidirmos como será a implantação dessas redes inteligentes, precisamos pensar ainda em formas que as tornem imunes a ataques de hackers”, disse Motizuqui. 

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Mariana Lima, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

16 Março 2017 | 05h00

Da geladeira da sua casa ao poste de iluminação pública no caminho do seu trabalho, os objetos vão trocar informações entre si sem que você perceba. A tecnologia por trás disso é conhecida como internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e, ainda que timidamente, já está presente na vida de milhares de brasileiros.

O IoT funciona por meio de sensores instalados em objetos conectados a redes como Wi-Fi e celular. Assim, dispositivos como televisores inteligentes, que estão entre os itens preferidos dos brasileiros, serão objetos comuns nas futuras casas conectadas.

“A geladeira vai dizer ao supermercado quais alimentos estão acabando. O GPS do celular vai avisar ao ar condicionado da casa que você já está saindo do trabalho e em quanto tempo deve voltar. As coisas vão ser sim, todas conectadas”, afirma Guilherme Araújo, executivo da IBM Watson no Brasil.

Pode parecer futurista, mas até as previsões menos otimistas preveem um ambiente totalmente conectado em, no máximo, duas décadas.

Com inteligência artificial e muitos dados disponíveis, a expectativa é que os objetos passem a tomar decisões simples sem intervenção do dono. Assim, será comum que um carro se torne responsável pelo agendamento da própria revisão ou troca de peças, por exemplo.

“Com a automação aplicada ao mínimos detalhes da vida humana, os impactos sociais devem ser enormes”, explica Araújo. “E, com isso, vamos investir nosso tempo em coisas mais interessantes, como estudar. Ou ainda vamos ver surgir novas coisas para nos ocupar, algo parecido com o que aconteceu com as redes sociais.”

Recursos naturais. O modo de viver das pessoas deve mudar bastante, mas é a economia mundial que será a mais impactada com a tecnologia.

Os inúmeros dados produzidos e analisados por máquinas, dotadas de inteligência artificial, ajudarão na gestão de recursos como energia, combustível para veículos e até mesmo água potável.

Kleber Faccipieri, líder de transformação digital da Huawei, acredita que o IoT trará impactos ainda incalculáveis para empresas que aderirem à tecnologia.

“A internet das coisas alterará o volume de informações disponíveis para tomada de decisão de processos como manutenção e distribuição de produtos. Além disso, fará com que novos campos de trabalho surjam e que as pessoas tenham de adquirir novos conhecimentos e habilidades.”

Produtividade. Grandes empresas veem na América Latina um mercado potencial para a tecnologia. Isso porque o IoT tende a eliminar deficiências de setores estratégicos para a região, como logística, saúde e indústria.

“Temos na região um grande potencial de instalação de tecnologia e desenvolvimento de sistemas”, diz Fábio Tagnin diretor de vendas de IoT da Intel para América Latina.

Para que a tecnologia seja amplamente usada no Brasil é preciso resolver alguns entraves. Regiões do País sem banda larga não terão capacidade técnica para manter todos os objetos conectados via internet.

Na tentativa de entender a tecnologia e alinhar as diretrizes que culminarão em políticas públicas, o governo federal anunciou, no ano passado, a iniciativa de criar um Plano Nacional de Internet das Coisas.

Com o plano, o governo federal quer colocar o Brasil entre os líderes na implementação da tecnologia, participando das discussões mundiais de padronização e traçando projetos para aumentar a conectividade no território nacional.

A sinalização do governo animou empresários nacionais. Previsões da IDC Brasil, consultoria especializada em tecnologia da informação, dão conta de que os investimentos na tecnologia devem se fortalecer a partir do segundo semestre do ano.

A expectativa da IDC é que o ecossistema de IoT no Brasil movimente mais de US$ 13 bilhões até 2020. Até lá, o tamanho do mercado brasileiro de internet das coisas deve dobrar.

Ricardo Buranello, vice-presidente da Telit para a América Latina, sustenta que o movimento no Brasil é inevitável.

“O Brasil viveu uma década de redução dos índices de produtividade industrial. Ou as empresas investirão em tecnologia ou em pouco tempo deixarão de existir”, acrescentou Buranello. 

Dispositivos conectados enfrentam ameaças

A conectividade entre aparelhos traz à tona o desafio de proteção de dados contra cibercriminosos e espionagem. 

Leandro Werder, diretor de engenharia da Fortinet, explica que há uma mobilização global entre empresas de segurança e governos na tentativa de definir regras para evitar ataques à segurança e à privacidade de pessoas e empresas.

Casos recentes já demonstram a fragilidade dos dispositivos de IoT disponíveis no mercado hoje. A invasão de babás eletrônicas, câmeras de segurança e TVs inteligentes deixou o mercado em alerta.

“A ironia deste cenário é que, à medida que tornamos as aplicações, os dados e os serviços mais rápidos num ambiente cada vez mais diversificado, estamos agravando a complexidade de protegê-los num ambiente também de ameaças em constante mudança”, diz o especialista em segurança de IoT.

Os fabricantes debatem agora como evitar que hackers invadem dispositivos como carros autônomos e infraestruturas críticas como a iluminação pública, o que poderia provocar acidentes em massa. 

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Mariana Lima, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 Março 2017 | 05h00

A adoção da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) nas fábricas, conectando robôs e automatizando processos, recebeu o nome de Indústria 4.0 ou, ainda, quarta etapa da Revolução Industrial. O conceito foi criado pelo governo alemão, em parceria com universidades e empresários, para aumentar a produtividade das fábricas do país.

Nos últimos anos, o modelo vem sendo replicado em várias regiões do globo e é apontado como essencial para garantir a competitividade da produção nos próximos anos.

Assim como outras áreas do IoT, a Indústria 4.0 é caracterizada pela combinação de várias tecnologias. As máquinas sensorizadas, o uso de inteligência artificial e a unificação de dados dos vários sistemas de uma empresa são elementos que garantem o sucesso do modelo.

“A aplicabilidade é enorme”, diz Guilherme Araújo, executivo da IBM Watson no Brasil. “Num produto vendido já com sensores, as empresas conseguem receber informações de como o objeto foi utilizado pelo cliente e assim definir quais soluções precisam ser alteradas na renovação daquela linha.”

O modelo também reduz custos para as companhias. Ele permite desenvolver e testar vários protótipos virtuais antes de começar a produção.

Vicente Mazinetti, gerente de pré-vendas da Siemens PLM Software, diz que a economia gerada pela digitalização dos processos nas fábricas é um dos principais atrativos.

“O conceito básico é não gastar dinheiro: desenvolver produtos de modo virtual, usar software no desenvolvimento dos produtos, testá-los virtualmente e armazenar essas informações no mesmo banco de dados. Com isso, toda a equipe de desenvolvimento terá acesso à mesma informação, o que também trará produtividade para o fluxo de produção", completa Mazinetti.

Outros mercados. O impacto da Quarta Revolução Industrial vai além da forma de produzir das fábricas.

Empresas voltadas para a produção de máquinas, como a GE, têm usado o momento para se reposicionar no mercado como fornecedoras de software. A multinacional norte-americana é um dos exemplos de sucesso na aplicação da Indústria 4.0.

“A GE tem 125 anos de mercado. Há alguns anos percebemos que, se continuássemos insistindo no modelo fabril tradicional, não viveríamos mais 100. Adotando este modelo, viramos líderes mundiais também em software, que é o futuro”, afirma Loïc Hamon, presidente da GE para a América Latina.

Para o executivo, o modelo de Indústria 4.0 e o avanço desenfreado das tecnologias deverão, em poucos anos, revolucionar todos os setores da economia, não somente o fabril.

“Quando um cliente nos procura para saber como será o futuro e sobre a importância transformação digital, digo: ‘Enquanto estamos conversando, há um tsunami sendo formado no mercado e não conseguimos vê-lo. Em pouco tempo, esse tsunami vai alcançar seu setor, independentemente de qual seja. Você estará protegido ou estará dormindo na praia?’”

Transformação digital. A primeira etapa de implementação da Indústria 4.0 é a digitalização de todos os processos fabris. Especialistas do setor afirmam que as empresas brasileiras caminham a passos lentos nessa etapa.

“Pesquisas indicam que 50% das empresas brasileiras ainda não sabem exatamente o que é Indústria 4.0. E há o agravante da crise. Muitos empresários acham loucura investir em produtividade agora sem ter para onde escoar os produtos”, diz Mazinetti.

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