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O recuo da produção da indústria é estrutural

O Estado de S.Paulo

04 Julho 2014 | 02h 03

Caíram, em maio, o emprego industrial, a massa real de salários, o rendimento médio real e as horas trabalhadas na produção, além da utilização de capacidade, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Não há exagero nas declarações do gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato Fonseca, de que "o quadro é desolador". A indústria não cresce desde 2010. O cenário é similar ao descrito na véspera pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feita com critérios diferentes dos da CNI.

Um indicador positivo - a alta dessazonalizada de 0,3% do faturamento real entre abril e maio - perde impacto quando se nota que, comparativamente a maio de 2013, as vendas caíram 1,9%, em termos reais. A queda das horas trabalhadas, de 2,4% em relação a maio do ano passado, explica por que a indústria tem reduzido o quadro de pessoal, segundo levantamentos do IBGE e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Para a CNI, o emprego cresceu 0,6% em relação a maio de 2013. O indicador do nível de atividade (INA) da Fiesp registrou queda de 0,9% entre abril e maio e de 7% em relação a maio do ano passado.

A utilização de capacidade, pelos indicadores dessazonalizados da CNI, diminuiu 0,2 ponto porcentual em relação a abril e 1,8 ponto em relação a maio de 2013. No setor de veículos automotores, houve diminuição de 5,4%, em 12 meses, do uso da capacidade. A perda de produtividade e de competitividade da indústria é crescente, como se constatou nos resultados da balança comercial de junho, em que os produtos primários responderam por mais de metade da exportações do semestre.

Há, portanto, um amplo e desfavorável conjunto de dados industriais que indicam limitação a qualquer reação mais forte neste ano, mantidas a taxa cambial - "apreciada", segundo o economista Márcio Garcia, da PUC-Rio - e as dificuldades para exportar.

As medidas restritas de estímulo à produção e ao emprego, tais como a prorrogação da isenção de IPI para veículos e móveis, além da desoneração da folha de pagamento, mostram-se incapazes de promover a recuperação da indústria, cuja atividade é muito afetada pelo custo Brasil, a começar da infraestrutura precária e da tributação elevada.

Não há, de fato, uma política para a indústria, cuja queda ajuda a arrastar para baixo o investimento.

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