Obama consegue aprovação de pacote econômico na Câmara dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, obteve a sua primeira grande vitória legislativa na quarta-feira com a aprovação do pacote de estímulo econômico no valor de 825 bilhões de dólares, após votação com forte divisão na Câmara dos Deputados --foram 244 votos a favor e 188 contra. Obama, que assumiu o governo há oito dias, não conseguiu, pelo menos por enquanto, atingir a sua meta de bipartidarismo. Todos os republicanos que votaram se opuseram ao projeto de lei, reclamando que continha muitos novos gastos e corte de impostos insuficientes. Somente 11 dos parceiros democratas de Obama na Câmara dos Deputados não deram apoio ao projeto para combater a pior crise econômica desde a Grande Depressão. O Senado começa a debater o assunto na próxima semana. Obama, que busca construir um apoio amplo, disse esperar que "possamos continuar a fortalecer este plano antes que ele chegue à minha mesa" para ser sancionado como lei. Mas o que não deve ser feito é "permitir que as mesmas diferenças partidárias entrem em nosso caminho", acrescentou Obama em um comunicado emitido pela Casa Branca. "Nós precisamos agir prontamente e de forma audaciosa para colocar a América para trabalhar novamente, e isso é exatamente o que esse plano começa a fazer." Ao comentar a necessidade rapidez e arrojo, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, disse que foi "exatamente isso" que os parlamentares fizeram. Em sua primeira visita ao Capitólio como presidente, na terça-feira, Obama fracassou ao tentar reduzir as preocupações de parte dos Republicanos de que o pacote tem cortes de impostos de menos, no montante de 275 bilhões de dólares, e gastos demais, 550 bilhões de dólares. Os dois lados pelo menos concordaram em manter diálogo. O Senado, liderado pelos Democratas, deve aprovar uma versão similar do projeto, no valor de 887 bilhões de dólares. Assim que o Senado aprovar o projeto, negociadores das duas Casas devem solucionar as diferenças e aprovar uma medida final que pode ser enviada a Obama. Terminar com a recessão que já dura 13 meses será difícil e economistas divergem sobre como fazer isso. Em um anúncio de página inteira no jornal New York Times nesta quarta-feira, um grupo de economistas disse que "não acreditamos que mais gastos por parte do governo é uma forma de melhorar o desempenho econômico". O anúncio foi pago pelo Cato Institute, que apoia políticas para limitar o governo. Na sexta-feira o governo federal deve divulgar uma estimativa do desempenho econômico que analistas esperam que mostre que a economia teve uma contração a uma taxa anual de 5,4 por cento no último ano, resultado próximo aos 6,4 por cento de contração em 1931, que foi seguida por 13 por cento em 1932, durante a Grande Depressão. O projeto aprovado pela Câmara prevê gastos de 825 bilhões de dólares nos próximos anos, com uma combinação de gastos emergenciais e cortes de impostos para criar e garantir até 4 milhões de empregos.

RICHARD COWAN E THOMAS FERRARO, REUTERS

29 Janeiro 2009 | 09h11

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