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Obra de duplicação já demora 8 anos

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE - O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2013 | 02h 05

Obra de 348 km da BR-101 começou a sair do papel em 2005, com previsão de estar concluída em 2007, mas até hoje não terminou

Prometida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na campanha eleitoral de 1994 e anunciada em 1997, a duplicação dos 348 quilômetros do trecho sul da BR-101, entre Palhoça (SC) e Osório (RS), só começou a sair do papel em 2005, já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com a previsão de que estaria terminada em 2007. Passados oito anos desde o início da obra, a pista ainda não está pronta e o fluxo de veículos emperra em dois túneis e uma ponte que só serão licitados neste ano.

Estudos da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) indicam que a rodovia só poderá ser dada como pronta em 2017 e os prejuízos decorrentes da demora para a economia regional chegam a R$ 32 bilhões. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) calcula um tempo menor, mas admite que pelo menos uma das obras, o túnel do Formigão, pode se estender até 2016.

Os 99 quilômetros do trecho gaúcho da duplicação estão prontos desde março de 2011, quando a ponte sobre o Rio Três Forquilhas foi aberta ao tráfego. Os gargalos que mais atrasaram a obra estão no trecho maior, de 249 quilômetros, em território catarinense. Um deles, sempre citado como o grande nó da duplicação, é o Lote 29, um trecho de 28 quilômetros entre Araranguá e Sombrio, que, de certa forma, resume os problemas que acabam estendendo o prazo de conclusão de projetos semelhantes.

Um dos primeiros motivos para o atraso foi a mobilização da comunidade de Araranguá, dividida entre os que queriam o traçado do projeto, com duplicação seguindo a pista atual, e os que preferiam um contorno a oeste da cidade. Depois de meses de debates, o Dnit optou pela mudança do traçado, com construção de um trecho de via elevada sobre o Rio Araranguá e outro em aterros. Quando a obra estava em execução, foi paralisada por duas vezes. Duas construtoras não cumpriram o cronograma, gerando mais atrasos, e foram afastadas da obra pelo Dnit. O terceiro consórcio está tocando a duplicação e deve entregar o trecho até maio deste ano.

Demora. O presidente da Associação Empresarial do Vale do Araranguá (Aciva), Alceu André Hübbe Pacheco, admite que, além dos problemas do Dnit com as construtoras, a mobilização da comunidade também atrasou o projeto, mas destaca que, de agora em diante, com a elevada, as enchentes não vão mais isolar o Sul do restante do País.

A demora, reconhece Pacheco, acabou sendo maior que a esperada, e forçou muitos moradores a mudarem de hábitos. Ele próprio trocou as viagens a Florianópolis para visitar filhos das sextas-feiras à tarde, horário de engarrafamentos, para as quintas-feiras. "O que nos preocupa é que pode estar ocorrendo um desalento dos investidores", avalia, ao comentar as consequências econômicas da dilatação dos prazos de conclusão.

Outros moradores da região também passam por situações incômodas enquanto a obra não fica pronta. O caminhoneiro Jorge Luiz Costa, de Laguna, conta que já foi obrigado a entregar cargas com atraso por ficar preso em engarrafamentos de até cinco quilômetros. "Isso tudo atrapalha e bastante", afirma, referindo-se à sua atividade.

Residente em Florianópolis, o militar Gilson Sardá usa quase todo o trecho catarinense da BR-101 Sul para visitar familiares em Passo de Torres, no sul do Estado, e acostumou-se a consultar a Polícia Rodoviária Federal antes de ir para a estrada. Quando é informado de engarrafamentos, adia a viagem. "Depois da duplicação poderemos pensar que valeu a pena o sacrifício, mas agora a obra está bem atrasada", comenta.

O presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Fecam), Éder Dall'Lago, diz que "é uma vergonha" a BR-101 Sul ainda não estar concluída. Ele também pede a duplicação da BR-116, uma espécie de paralela da BR-101, mas com traçado sinuoso pela serra. Segundo ele, o governo incentiva a venda de automóveis, "mas esquece de dizer onde os veículos vão passar".

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