Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

OCDE piora projeções e vê queda de 2,8% para o PIB do Brasil em 2015

Organização, que antes projetava retração de 0,8% para a economia brasileira, agora está mais pessimista do que os analistas consultados pelo Banco Central; no próximo ano, OCDE espera queda de 0,7% na atividade econômica

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 07h20

LONDRES - A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) piorou significativamente as previsões para a atividade econômica no Brasil. Agora, a entidade está mais pessimista que os economistas ouvidos semanalmente pelo Banco Central. Para 2015, a expectativa de recessão foi aprofundada de -0,8% no cenário previsto em junho para a previsão atual de -2,8%.

A recessão deve continuar no próximo ano. Até junho, a OCDE mantinha a previsão otimista de que o Brasil poderia crescer 1,1%. Três meses depois, diante da deterioração do quadro, a Organização agora aposta em contração do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 0,7% no próximo ano.

Com a piora do cenário, a OCDE agora está mais pessimista que os economistas ouvidos semanalmente pelo BC. Na pesquisa Focus divulgada esta semana, a mediana das previsões para o PIB mostra contração de 2,55% em 2015 e retração de 0,60% em 2016.

No relatório "Interim Economic Outlook", a OCDE explica que o cenário para os emergentes em 2015 sofreu deterioração desde junho diante especialmente dos sinais de fraqueza da China, o que reduz a demanda global por importações e ainda diminuiu o preço das commodities. Para os emergentes, o efeito China, diz a OCDE, acabou anulando a maior tração apresentada pela economia dos Estados Unidos.

Para piorar, alguns países sofrem com problemas internos. A OCDE dá como exemplo o Brasil e a Rússia, "que experimentam recessão profunda combinada com inflação relativamente alta". Além disso, a entidade cita que "o déficit em conta corrente e fiscal apresentaram ampliação para elevados níveis no Brasil e África do Sul".

Para 2016, a OCDE diz que grandes exportadores de matérias primas, como o Brasil e a Rússia, "podem ver alguma melhora se os preços das commodities não caírem ainda mais". Sobre a China, a entidade diz que a hábil escolha e implementação de políticas deve fazer com que a desaceleração do país seja "apenas gradual".

China. A OCDE reduziu ligeiramente as previsões de crescimento para a economia chinesa. A expectativa de expansão para o país em 2015 foi reduzida de 6,8% para 6,7%. Para 2016, a previsão para o crescimento foi diminuída de 6,7% para 6,5%. "A dinâmica de crescimento da China é difícil de avaliar diante de dados contraditórios", reconhece a entidade.

Os economistas da organização notam que "manter o crescimento sustentável" na segunda maior economia do mundo e ainda resolver as vulnerabilidades do sistema financeiro chinês compõem um "grande desafio". Um dos problemas gerados pela China são as consequências sobre outros emergentes. A Organização diz que a exposição de países em desenvolvimento à desaceleração da China e ao possível movimento de juro do Federal Reserve nos Estados Unidos "geram incerteza importante" no cenário global.

No relatório, a entidade reconhece que estímulos já foram anunciados por Pequim e sugere a adoção de mais medidas para evitar desaceleração pronunciada. "Estímulos adicionais podem ser necessários, mas isso poderia ser menos dependente da infraestrutura financiada por dívida e gastos em construção e mais através da expansão dos gastos sociais que ajudarão a dar suporte ao gasto dos consumidores", diz o relatório da OCDE.

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