Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

Ociosidade menor abre espaço para investimento

Pela primeira vez desde 2013, o total de indústrias que planeja elevar investimentos é maior que o número das que preveem reduzir

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2018 | 04h00

A queda da ociosidade na indústria, mesmo que em um ritmo considerado abaixo do esperado, reforça as previsões positivas sobre os investimentos no Brasil, que devem interromper em 2018 quatro anos seguidos de encolhimento. Pelos cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os investimentos líquidos – aqueles que adicionam capacidade produtiva na economia – voltarão a crescer num ritmo anual próximo de 20% neste e no próximo ano.

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Mesmo que ainda haja ociosidade na indústria – a produção segue 17,8% abaixo do pico registrado em junho de 2013 – e que a economia continue crescendo menos do que o seu potencial até o ano que vem, o coordenador do grupo de estudos de conjuntura do Ipea, José Ronaldo de Souza Júnior, diz que o atual estágio da recuperação econômica demanda mais investimentos em modernização de processos, bem como em linhas de novos produtos. “Além disso, há setores, como o da indústria extrativa mineral e de infraestrutura, que precisam ampliar a capacidade instalada”, acrescenta o pesquisador.

Cenário. Não por acaso, se as previsões da maioria dos economistas estiverem corretas, o consumo das famílias e a Formação Bruta de Capital Fixo, sinônimo de investimentos, serão os motores do crescimento econômico de 2018, estimado em 2,8% pelo mercado.

A leitura dos economistas é que, depois de um período de cortes nos investimentos, as empresas voltarão a investir porque vivem hoje uma situação de maior equilíbrio financeiro, após os programas de redução de dívidas e de reestruturação executados durante a crise. Além disso, os cortes na taxa básica de juros (Selic) sugerem alívio no custo dos financiamentos, ainda que eles não tenham sido totalmente repassados aos tomadores finais de crédito.

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Essa maior propensão a investir foi capturada em pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) que apurou que a intenção de investimentos chegou, no primeiro trimestre, ao nível mais alto desde o fim de 2013. A FGV constatou que o total de indústrias dispostas a elevar investimentos nos próximos 12 meses voltou a ser maior do que o número que planeja reduzir.

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Sinais de que os investimentos estão saindo do estado de letargia também são dados pelas importações de bens de capital – com alta de 14,5% no primeiro trimestre, frente ao mesmo período do ano passado – e pelo crescimento de 3,8%, ainda no comparativo com o ano anterior, dos investimentos no último trimestre de 2017. Foi a primeira alta desse componente do PIB no comparativo ano a ano em quase quatro anos.

“Em tese, os setores que estão mais próximos de resolver o problema da ociosidade devem ser os primeiros a retomar os investimentos em expansão industrial”, disse Marcelo Azevedo, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Período de enxugamento.Em 2013, último ano de crescimento consistente da economia, a parcela dos investimentos destinada a ampliar a capacidade de produção de produtos e prestação de serviços do País – como a compra de novos equipamentos para uma fábrica ou a construção de uma estrada – chegou a 46,5%, segundo cálculos do Ipea. Depois disso, foi recuando até chegar a 18% no ano passado, quando a maior parte dos investimentos (82%) foi feita apenas para repor a depreciação dos ativos empregados na produção.

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