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Oi negocia comprar Eletronet, empresa falida do governo

Criada pela Eletrobrás e AES, Eletronet tem hoje sócio que não desembolsou nada por ela

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Renato Cruz

Depois da compra da Brasil Telecom (BrT) no ano passado, a Oi se prepara para entrar em mais um negócio polêmico: a compra da Eletronet, empresa criada numa associação entre a americana AES e a Eletrobrás e que se encontra em processo de falência, que corre na Justiça Estadual do Rio de Janeiro. A Eletronet opera uma rede de fibras ópticas de 16 mil quilômetros, presente em 18 Estados brasileiros. Segundo fontes de mercado, houve há duas semanas uma reunião entre a Oi e os credores da Eletronet, a Furukawa e a Alcatel-Lucent, que forneceram a rede da empresa e micaram com uma dívida que já ultrapassa R$ 600 milhões. Ainda não foram acertados valores, mas, enquanto é negociado o preço, as empresas já trabalham nas minutas dos contratos. Existe uma distância grande entre o valor pedido pelos credores e o oferecido pela Oi. Em 2007, os credores chegaram a negociar a venda da Eletronet com o Serpro, que pagaria cerca de R$ 210 milhões pelas empresas. Recentemente, o governo fez um depósito judicial de R$ 300 milhões, no processo de falência que corre no Rio, para tentar retomar a infraestrutura. Ainda não existe uma proposta firme da Oi sobre a mesa, e está marcada uma reunião para a próxima semana, quando a aquisição pode ser finalizada. A Oi, a Alcatel-Lucent e a Furukawa não quiseram comentar o assunto. Para fechar o negócio, a Oi também negocia com os controladores, que são a Eletrobrás e o empresário Nelson dos Santos, que comprou a participação da AES sem desembolsar praticamente nada, em troca de assumir as dívidas da operadora. Santos foi o responsável por negociar as dívidas da AES, referentes às empresas de energia que comprou no Brasil, com o BNDES. O empresário tem negócios com José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil. A Eletrobrás disse que não tinha informações sobre o assunto. Já o empresário preferiu não se pronunciar. Se concretizada, a compra de Eletronet será o terceiro negócio polêmico da Oi em que o governo está envolvido. Em 2005, a operadora investiu R$ 5 milhões na Gamecorp, empresa que tem entre seus sócios Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No ano passado, o governo promoveu uma mudança na regulamentação das telecomunicações para que a Oi pudesse comprar a BrT. Com essa aquisição, a Oi já passou a operar uma rede nacional de fibra óptica, parecida com a da própria Eletronet. Além da Oi e da Eletronet, apenas a Embratel possui uma rede desse tipo. Antes das negociações com a Oi, outras operadoras privadas chegaram a estudar a compra da Eletronet, mas as conversas não prosperaram. "Somente uma empresa como a Oi poderia ter sucesso nessa negociação", disse uma fonte, que pediu para não ser identificada. A negociação é complexa, pois envolve os credores, o sócio privado e a Eletrobrás. A Eletronet usa as linhas de transmissão da Eletrobrás, por onde passam seus cabos de fibra óptica. Se o negócio não der certo, existem setores do governo que estudam fazer com que a Eletronet seja incorporada pela Telebrás, fazendo com que a antiga estatal de telecomunicações volta a ser uma operadora. A Telebrás era a holding que controlava as operadoras de telecomunicações privatizadas em 1998, e hoje existe somente para emprestar funcionários à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e para gerir seu passivo judicial. Existem várias ações na Justiça em que a operadora estatal é ré. Este ano, a Telebrás recebeu um aporte de R$ 200 milhões do governo, com o objetivo de reequilibrar suas contas e, posteriormente, transformá-la numa empresa que iria levar banda larga para as cidades que ainda não contam com o serviço.

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