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Operários do Comperj deixam TRT após seis horas de negociação

Sede do Tribunal, no centro do Rio, foi ocupada depois de reunião de conciliação terminar sem acordo pela tarde; trabalhadores protestavam contra o atraso no pagamento de salários

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Antonio Pita ,
O Estado de S. Paulo

09 Março 2015 | 21h29

Atualizado às 22h10

Após mais de seis horas de negociação, trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), sediado em Itaboraí (Região Metropolitana do Rio), firmaram por volta das 21 horas desta segunda-feira um acordo para deixar o prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), no centro do Rio.

Uma força-tarefa composta de procuradores do Trabalho e advogados definiu os termos de uma nova ação judicial com pedido de liminar a ser proposta pelo Ministério Público do Trabalho em favor dos operários. Será a terceira ação impetrada para cobrar salários e benefícios atrasados desde dezembro de 2014 pela Alusa.

Segundo esse acordo, os contratos de trabalho serão rescindidos imediatamente, com data retroativa de 27 de fevereiro, dia anterior à mudança das regras do seguro-desemprego. A liminar deve ser expedida ainda na noite desta segunda-feira pelo juiz que fica de plantão no TRT-1. Com isso, até a próxima sexta-feira os trabalhadores já devem conseguir sacar seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a primeira parcela do seguro-desemprego.

Às 16 horas, manifestantes haviam bloqueado as portas do tribunal e impediram a saída dos servidores. Houve correria e tensão entre operários e seguranças e até um rojão foi lançado por manifestantes dentro do prédio. Os trabalhadores permitiram que as mulheres saíssem às 19 horas. Os homens só foram liberados após as 21 horas. Os manifestantes decidiram permanecer no prédio até que a liminar seja expedida.

Petrobrás. O Ministério Público do Trabalho também garantiu aos trabalhadores que a ação vai exigir a responsabilização da Petrobrás e da Alusa no pagamento de indenizações e a quitação dos salários atrasados. Os trabalhadores concordaram em aguardar até a manhã desta terça-feira (10) por uma decisão da Petrobrás sobre o reconhecimento de créditos a serem pagos pela estatal à Alusa.

A Petrobrás não reconhece supostas dívidas com a empresa, que está em recuperação judicial desde janeiro. A Alusa move ações contra a estatal para cobrar mais de R$ 1,2 bilhão por serviços prestados. A empresa alega que a petroleira já reconheceu débito de R$ 14 milhões, valor que o MPT propõe que seja usado para quitar parte dos salários atrasados.

O acordo desta noite, que também teve a intermediação dos deputados estaduais Jandira Feghali (PCdoB) e Flávio Serafini (Psol), foi comemorado com euforia pelos manifestantes.

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Protesto. Operários do Comperj ocuparam na tarde desta segunda-feira a sede do TRT, no centro do Rio, em protesto contra o atraso no pagamento de salários. Após uma reunião de conciliação terminar sem consenso, os manifestantes bloquearam as saídas e o saguão do prédio, e jogaram um rojão próximo aos elevadores. 

Participaram da reunião o ministro do Trabalho, Manoel Dias, e representantes da Petrobrás e da Alusa, responsável pelas obras terceirizadas, além do Ministério Público do Trabalho. Os salários estão suspensos desde dezembro. Houve correria e brigas entre operários e seguranças do prédio que tentavam liberar alguns servidores e magistrados. Dias também ficou retido, mas conseguiu sair no fim da tarde.

"Estamos como um leão enjaulado de frente para uma vaca", descreveu um dos líderes, Alexandre Gomes, soldador de 41 anos. "Vocês todos comeram ontem, eu não tenho um centavo para pagar o leite da minha filha", disse o operário.

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