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Oposição vê inflação como ameaça à reeleição de Dilma

RICARDO BRITO, DAIENE CARDOSO, RICARDO DELLA COLETTA / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2014 | 02h 06

Parlamentares de oposição criticam gestão econômica e petistas dizem que não há descontrole

Na avaliação de parlamentares da oposição, o resultado do IPCA de 2013 indica que o arsenal de medidas econômicas para debelar a inflação "se exauriu". Enquanto os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) não se pronunciaram sobre o indicador, líderes da oposição não pouparam críticas à gestão petista e disseram que o desempenho da economia pode pesar contra a reeleição de Dilma Rousseff.

Para o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), a alta da inflação oficial ocorreu por razões de ordem estrutural, mesmo o governo tendo elevado a taxa básica de juros na tentativa de diminuir a pressão sobre o índice. "O arsenal de medidas do governo, de medidas que você possa tomar com efeito colateral suportável, já se exauriu", comentou.

Ele lembrou que a inflação gerou uma diminuição das vendas do Natal e inibiu investimentos no País. "O governo não está atuando nas estruturas, está fazendo apenas medidas tópicas. Não dá para curar a febre quebrando o termômetro."

O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou que é inevitável que o impacto da inflação pese nas eleições. "É o que elege ou derrota os governos. Portanto, a menos que a oposição facilite muito, a reeleição da Dilma será colocada em dúvida", afirmou.

Escolhas. Para Agripino Maia, a inflação começa a "entrar na casa" dos brasileiros com a alta dos preços dos alimentos. "As pessoas estão fazendo as contas de quanto vão deixar de comprar, por exemplo, em óleo."

Já a oposição na Câmara dos Deputados classificou de "desequilibrada" e de "incompetente" a gestão econômica e criticou o governo por não atingir o centro da meta, de 4,5%. "O governo abriu mão do rigor do combate à inflação", criticou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). "O sistema de metas inflacionárias se concentra no centro, e o governo Dilma se acomodou em conviver com a inflação batendo sempre na trave do limite superior."

"A sociedade começa a ver o desequilíbrio e a incompetência na gestão da economia do País", acrescentou o presidente do PPS, Roberto Freire (SP).

Bem-estar. Petistas refutaram a tese de que o governo tenha perdido o controle da inflação. "Não tem descontrole nenhum", afirmou o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE). Segundo ele, a alta de preços no grupo alimentação e bebidas pode ser atribuída ao aumento do consumo e o importante é "a sensação de bem-estar" da população. "Picos de alta não fazem mal. Eu prefiro isso que contenção de consumo."

O petista prevê que o indicador não vai interferir na sucessão presidencial, já que "o eleitor de baixa renda está feliz da vida com os programas sociais e com o crédito em abundância".

"Não vejo nenhum tipo de impacto na eleição. O governo age em cima da responsabilidade fiscal, mas também na responsabilidade social. Para manter a régua que o governo trabalha não é só superávit ou metas de inflação, mas também tem a ver com emprego, indicadores sociais e investimentos", acrescentou o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR).

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