Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Outback trará novas marcas ao País

Brasil será primeiro a receber a bandeira de restaurante italiano da Bloomin' Brands, empresa americana que controla a rede

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2015 | 02h04

Os americanos donos da rede Outback, com mais de 750 unidades em 21 países, escolheram o Brasil para dar início ao processo de internacionalização de suas outras marcas. Com receita anual de US$ 4 bilhões, a Bloomin' Brands tem mais quatro bandeiras de restaurantes temáticos, que até agora operavam apenas nos EUA. A primeira delas a cruzar a fronteira americana e chegar ao País será a Carrabba's, de comida italiana - aqui, rebatizada de Abbraccio.

A mudança ocorre cerca de um ano após a Bloomin' Brands comprar parte das ações de seus sócios locais - Salim Maroun e Peter Rodenbeck - na joint venture que operava a marca no Brasil desde 1997. Com isso, os americanos elevaram sua participação para 90%.

A nova estrutura abriu o caminho para a Bloomin' Brands tentar repetir com suas outras redes o sucesso que o Outback conseguiu no Brasil. Hoje, o País tem nove dos dez restaurantes com maior faturamento da marca no mundo. "Existe potencial enorme para desenvolver outras redes de casual dining no Brasil e decidimos começar pela cozinha italiana", explica Maroun, que permanece à frente da operação brasileira.

Em meio a pesquisas sobre a aceitação da rede Carrabba's feitas com 1,5 mil brasileiros, o Outback Brasil decidiu usar outro nome. Por aqui, nem todo mundo associava a palavra Carrabba's, sobrenome do fundador da rede, a um restaurante italiano. O nome Abbraccio foi escolhido pela equipe do Brasil e será usado em todos os países além dos Estados Unidos.

Apesar do nome e de pequenas adaptações feitas para atender os brasileiros, como a oferta de mesas para 12 pessoas, de olho nas famílias maiores, o Abbraccio será quase igual ao Carraba's. O americano Manny Vegas, que trabalhou por 18 anos no Carraba's, comandará a operação do Abbraccio no Brasil.

A primeira unidade será inaugurada em março no shopping Vila Olímpia e a segunda abrirá cerca de um mês depois no Shopping Market Place, ambos em São Paulo. Cada restaurante exige investimento da ordem de R$ 5,5 milhões e uma equipe de 130 pessoas. Segundo Maroun, o plano é abrir entre 10 e 12 restaurantes da Abbraccio em dois anos - nos EUA, a rede tem quase 300 unidades.

O Brasil deve receber as outras marcas da Bloomin' Brands no futuro e pode também trazer novas bandeiras ao grupo. "Se avaliarmos que há necessidade de agregar novas marcas de restaurante ao grupo, podemos fazer isso", disse.

Mercado. Os restaurantes de casual dining oferecem um serviço intermediário entre a alta gastronomia e o fast food e representam cerca de 1% dos pouco mais de 100 mil restaurantes existentes no Brasil, afirma Sergio Molinari, sócio-fundador da Food Consulting, especializada em serviços de alimentação. "A participação dos restaurantes de casual dining na alimentação fora de casa pode triplicar em cinco anos. As classes A e B respondem por mais da metade do consumo e essas opções atendem o consumidor de média e alta renda."

Segundo o sócio da consultoria GS&MD, Caio Gouvêa, a escala é essencial para viabilizar um serviço de qualidade com preço competitivo. "A formação de grupos que operem restaurantes com várias bandeiras traz sinergias e é tendência no mercado", diz. Grupos como International Meal Company (IMC), dona das redes Frango Assado e Viena, já operam com um modelo multimarcas.

Reestruturação. Há cerca de um ano, o Outback Brasil vem adaptando sua estrutura para receber novas marcas. A companhia terá um executivo-chefe para cada uma delas - Outback e Abbraccio - e ambos serão subordinados a Maroun, presidente do grupo no Brasil. "A alma da marca é muito importante. Nos estruturamos para que cada rede tenha um executivo 100% dedicado a ela", disse.

Segundo ele, as duas bandeiras vão compartilhar a estrutura que o Outback já tem no Brasil para aproveitar sinergias em quesitos que vão além da marca, como gestão tributária e tecnologia de informação.

Enquanto o Abbraccio buscará seu espaço no Brasil, o Outback planeja manter o seu ritmo de expansão de unidades em 20% ao ano, mesmo em um cenário de desaceleração da economia. "O Outback terá o tamanho que o consumidor quiser", disse Átila Noronha, que foi executivo do McDonald's nos EUA e voltou ao Brasil recentemente para assumir a operação do Outback, hoje com 64 lojas. "As filas na porta mostram que há espaço para mais."

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