1. Usuário
E&N
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

País pode ter onda de rebaixamentos em 2016

- Atualizado: 09 Março 2016 | 08h 12

Das empresas brasileiras avaliadas pela Fitch, 53% têm perspectiva negativa, ou seja, o rating tem mais chances de ser rebaixado do que mantido ou elevado

Paraa Fitch, para cada empresa com nota elevada deve haver dez rebaixamentos

Paraa Fitch, para cada empresa com nota elevada deve haver dez rebaixamentos

NOVA YORK - As empresas brasileiras passam por uma “tempestade perfeita” e uma onda de novos rebaixamentos de ratings corporativos pode ocorrer ainda em 2016, disse o diretor da Fitch Ratings, Mauro Storino, em evento realizado nesta terça-feira em Nova York.

Das empresas brasileiras avaliadas pela Fitch, 53% têm perspectiva negativa, ou seja, o rating tem mais chances de ser rebaixado do que mantido ou elevado. Storino conta que, em 2014, para cada empresa com nota elevada, houve 2,8 rebaixamentos. Essa proporção subiu para 4,4 em 2015. Para 2016, a expectativa da Fitch é que chegue em dez vezes.

Storino traçou um cenário pessimista para as companhias brasileiras durante o evento, ao destacar que as companhias devem ter bastante dificuldade para conseguir emitir bônus no exterior e até mesmo captar no mercado doméstico. A solução seria recorrer aos bancos para pedir empréstimos, mas as instituições financeiras estão retraídas por causa da recessão no Brasil e o temor de alta da inadimplência.

“Os ratings das empresas brasileiras vão continuar refletindo baixos volumes de vendas e vão seguir tendo impacto dos baixos preços das commodities”, disse o analista da Fitch. As empresas brasileiras terão a estrutura de custos pressionadas pela inflação alta e os juros elevados vão pressionar os fluxos de caixa.

Nesse cenário, cresce a preocupação com a liquidez das companhias, segundo Storino. “Não vemos as companhias sendo capazes de acessar o mercado externo”, afirmou. Mesmo no mercado doméstico, ele não vê apetite neste momento por papéis corporativos de maior risco.

A solução para muitas empresas pode ser a venda de ativos, movimento que vem se intensificando nos últimos meses. Mas até mesmo para essa opção Storino mostra cautela. “Não vemos muito espaço para isso”, disse ele.

A economia brasileira e a incerteza política oferecem desafios consideráveis e, mesmo com as companhias mais baratas para os estrangeiros, por causa da valorização do dólar, o apetite por aquisições pode ser limitado.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX