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Países chegam a acordo para congelar produção de petróleo

Fontes afirmam que Arábia Saudita, Rússia, Qatar e Venezuela devem tomar medida só se outros países fizerem o mesmo; incertezas sobre efeitos do acordo fazem preço do óleo oscilar

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O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2016 | 09h44

Ministros de petróleo da Arábia Saudita, Rússia, Qatar e Venezuela chegaram a um acordo nesta terça-feira, 16, para manter a produção da commodity nos níveis de janeiro, desde que outros grandes produtores façam o mesmo, segundo fontes com conhecimento do assunto. 

O acordo foi fechado durante uma reunião realizada em Doha para discutir formas de estabilizar os preços, que recentemente atingiram os menores níveis em mais de uma década à medida que a oferta se manteve acima da demanda. A decisão será comunicada em breve a outros integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), disseram as fontes.

Não há um acordo ainda para uma eventual reunião de emergência entre a Opep e produtores de fora do grupo, mas o ministro de petróleo iraniano, Bijan Zanganeh, já afirmou que o país não vai desistir de sua fatia no mercado da commodity. "O que importa, a princípio, é que o mercado de petróleo está enfrentando excesso de oferta e, em segundo lugar, que o Irã não abandone sua fatia", declarou Zanganeh à agência de notícias estatal iraniana Shana. 

Cotações. Os contratos de petróleo operaram em alta no início das negociações, com a expectativa de alta nos preços no segundo semestre. Para Gordon Kwan, diretor regional de petróleo e gás da Nomura, o acordo poderá elevar o preço para US$ 60 o barril. 

Os preços, porém, reduziram o ritmo de alta e chegaram a cair com incertezas sobre o efeito do acordo, uma vez que o congelamento da produção se dá em um contexto de excesso de oferta da commodity cujos preços caíram cerca de 70% desde seu pico, em junho de 2014.

Nas primeiras horas de negociação, o petróleo Brent para abril chegou a subir na casa dos 6%, na ICE, em Londres. O petróleo para março avançou 2,41%, a US$ 30,15 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). 

Vídeo: Entenda por que o preço do petróleo está caindo

O consenso fechado na reunião em Doha prevê que a Rússia congele sua produção no nível recorde após a dissolução da União Soviética, de 10,98 milhões de barris ao dia. A Arábia Saudita, por sua vez, poderá produzir 9,95 milhões de barris ao dia. Nesses patamares, haverá pouco respiro para os demais produtores.

Além disso, a produção no Irã e no Iraque registra altas constantes e nenhum país parece disposto a reduzir a produção e dar chance a essas duas nações de conquistar mais fatia de mercado, segundo o analista Virendra Chauhan, da Energy Aspects. Do lado da demanda, o consumo chinês está fraco, após dados divulgados na segunda-feira mostrarem que as importações da segunda economia mundial desaceleraram significativamente em janeiro. (Com informações da Agência Estado e da Dow Jones Newswires).

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