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Geraldo Bubniak/AGB

Para agentes da PF, críticas à Operação Carne Fraca são forma de ‘desviar atenção’

Investigadores dizem que ataques acabam reduzindo o foco sobre a corrupção, alvo da investigação

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Fabio Serapião ,
O Estado de S.Paulo

20 Março 2017 | 23h07

BRASÍLIA - Os investigadores da Polícia Federal responsáveis pela operação Carne Fraca avaliam os ataques desferidos pelo governo e por entidades de classe ligadas ao agronegócio como uma forma de tentar desviar o foco do esquema de corrupção descoberto pela investigação.

No entendimento de integrantes da investigação ouvidos pelo Estado, o “barulho” feito após as revelações sobre problemas sanitários nos frigoríficos e as afirmações de que a atuação da Polícia Federal deve ter impacto na economia servem apenas para evitar o debate sobre as “relações espúrias” entre grupos políticos e agentes públicos do Ministério da Agricultura.

“Temos excelente material de análise e muita coisa ainda sob sigilo. A operação é grande e ainda vai crescer bem mais”, comenta um investigador.

No domingo, após reunião com o presidente Michel Temer e representantes dos frigoríficos, o ministro da Agricultura Blairo Maggi criticou “a narrativa” criada pela Polícia Federal na Carne Fraca. Após afirmar que houve “fantasias” e que é uma “idiotice” achar que os produtores colocariam, por exemplo, papelão em embutidos, como foi apontado pelas investigações, Maggi disse que as investigações vão tomar “um outro rumo” na medida em que a Pasta ajudar a PF com informações técnicas do setor de carnes.

Outro foco. Para um investigador ouvido pela reportagem, após a reação do governo e das empresas, as pessoas “esqueceram completamente” da corrupção envolvida no caso e as notícias ganharam um novo enfoque. “Agora, elas estão focadas só no suposto problema causado no setor de exportação de carne”, disse o investigador.

Sobre o objetivo da Carne Fraca, o investigador lembra que a operação é conduzida por agentes federais da delegacia de Repressão ao Crime Organizado, a mesma envolvida na operação Lava Jato, e, por isso, tem como foco possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo agentes públicos e privados.

Sobre as questões sanitárias que deram à operação contornos de escândalo de saúde pública e desrespeito com o consumidor no Brasil e no mundo, o investigador lembra que essas questões são apenas a consequência das irregularidades, mas que não são o foco principal dos envolvidos no caso.

Para evitar que o debate siga a narrativa de interesse do governo e das empresas envolvidas no esquema investigado pela Operação Carne Fraca, os investigadores pregam que os trabalhos se concentrem nos atos de corrupção, “para não deixar as críticas perturbarem” o andamento da apuração.

Apesar do envolvimento de funcionários no esquema de cobrança de propina para manter frigoríficos funcionando, o Ministério da Agricultura se queixou de não ter sido previamente informado das investigações.

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