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Felipe Rau|Estadão

Para analistas, medida deve ter pouco efeito na economia

Economistas dizem que fraca demanda por crédito pode inibir tentativa do governo em estimular a economia

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Luiz Guilherme Gerbelli,
O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2016 | 21h57

Os economistas avaliam que as medidas de estímulo ao crédito anunciadas pela equipe econômica não devem ter impacto na retomada da economia.

Para os analistas, a proposta do governo apenas aumenta a oferta de crédito e não é suficiente para estimular a demanda. Ou seja, mesmo com mais recursos disponíveis, o cenário adverso da economia faz com que as pessoas tenham pouca disposição na tomada de empréstimos.

“Esse pacote é de oferta de crédito. É preciso discutir também o lado da demanda”, afirma Livio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). “Num cenário com famílias endividadas, queda dos lucros das empresas não é óbvio que exista demanda por crédito”, diz Ribeiro.

Os números do ano passado já apontaram uma desaceleração do crédito. De acordo com o Banco Central, o volume de empréstimos aumentou 6,6% em 2015, em termos nominais, na comparação com o ano. O crescimento foi baixo quando se leva em conta o resultados passados. Em 2014, por exemplo, a expansão foi de 11,3%. Em 2010, quando a economia brasileira cresceu 7,6%, o avanço foi de 20,6%.

“Tentar liberar crédito em uma economia com crise generalizada de confiança de nada adiantará”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados. “São medidas que reeditam a nova matriz econômica. São do mesmo tipo que foram feitas no primeiro mandato (da presidente Dilma Rousseff) e que já não funcionaram”, afirma Vale.

Embora a expansão do crédito tenha desacelerado e o mercado trate o plano com ceticismo, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, já disse que é preciso “levar o cavalo à água para ver se ele quer bebê-la” em referência a possível fraca demanda pelo crédito.

Mudança. Por ora, na avaliação dos analistas, a retomada da economia brasileira só ocorreria com o anúncio de mudanças mais profundas.

“Da mesma forma que o estado atual é consequência de uma série longa de políticas que foram implementadas ano após ano, o desmonte da situação vai ser resultado da reversão de várias políticas”, afirma Ribeiro, do Ibre. “Isso fatalmente vai ser um processo longo porque o governo que poderia reverter essas políticas foi o que implementou todas essas medidas.”

Nos cálculos da equipe do Ibre, a economia brasileira deverá ter em 2016 uma nova recessão. Na avaliação do instituto, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá recuar 3%. No ano passado, a queda estimada foi de 3,7%. “São dois anos seguidos de uma economia em retração em todas as óticas”, diz o pesquisador do Ibre.

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