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Dida Sampaio/Estadão

Para base do governo, alta de juros reforçaria crise

Aumento da taxa passaria um ‘sinal péssimo’ e representaria ‘uma barbeiragem’, diz Lindbergh Farias (PT-RJ)

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Ricardo Brito, Igor Gadelha,
O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2016 | 22h23

BRASÍLIA - O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) comemorou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 14,25% sem viés. Para o petista, uma eventual elevação da taxa básica de juros passaria um “sinal péssimo” e iria contribuir para aumentar a recessão por que atravessa o País.

“Ia ser uma barbeiragem no meio de recessão de dois anos aumentar a taxa de juros. Foi uma decisão sensata”, disse o senador, ao citar que, mesmo os economistas liberais, estava divididos sobre a conveniência de se aumentar a Selic para tentar reduzir a inflação no País, que encerrou 2015 em 10,67%, conforme o IPCA.

O senador disse não considerar menor o fato de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter revisado anteontem a queda do PIB do Brasil de 1% para 3,5% este ano.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, divulgou nota logo após a manifestação do FMI dizendo que considerava “significativa” a revisão feita pelo fundo. O mercado, que inicialmente apostava numa alta da Selic de 0,5 ponto porcentual, passou a reavaliar sua projeção para aumento de apenas 0,25 ponto porcentual ou manutenção da taxa – o que ocorreu ontem.

“De qualquer maneira ia ter chiadeira neste momento, não dá para subestimar o comunicado do FMI”, disse Lindbergh. “Mais importante se o mercado vai achar que houve interferência na decisão, é o mundo real, a produção”, frisou.

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), por outro lado, criticou a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. Para o parlamentar, a decisão representa a manutenção da mesma política de juros que “asfixia a economia nacional.”

“O ideal seria que tivesse diminuído”, afirmou o parlamentar. Ele ressaltou que o atual nível da Selic tem sido um dos principais inibidores do crescimento da economia brasileira, pois dificulta investimentos, aumentando o desemprego. “Foi mais uma sinalização ruim de um governo perdido”, disparou.

Carta. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que o Banco Central exorbitou de suas atribuições ao responder, por meio de nota, a relatório divulgado pelo FMI. Para Jucá, a nota assinada pelo presidente do BC é “desnecessária”, mas ressalvou não ser o caso de ele ir ao Senado se explicar. “ Quem, em tese, tem que responder ao FMI é o Ministério da Fazenda ou o governo”, disse Jucá. “Ele quis ajudar, mas se expôs sem necessidade”, acrescentou.

Para o peemedebista, mais importante do que o resultado do Copom é o governo buscar saídas para as crises conjuntural e estrutural por que o País passa. Ele defendeu que o Executivo precisa, primeiro, fazer um ajuste fiscal de forma a criar condições para redução dos juros. “O cidadão não aguenta mais essa taxa de juros”, afirmou o senador.

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