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ÉRICA DEZONNE / ESTADÃO

Para construção civil, receber R$ 7 bi em atraso já é ‘novo PAC’

Setor apresentou lista de reivindicações ao governo como condição para que investimentos sejam retomados

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Murilo Rodrigues Alves,
O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2016 | 22h33

BRASÍLIA - Para a indústria da construção, o governo não precisa de muito esforço para estimular o segmento como tentativa de reanimar a economia brasileira. A principal reivindicação do setor é o pagamento de quase R$ 7 bilhões em atrasos das obras públicas, o que já seria suficiente para dar fôlego às construtoras.

“Colocar em dia os pagamentos dos atrasos já seria um novo PAC”, afirma José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). “Seria o suficiente para recuperar as empresas que estão morrendo. O principal ponto é simplesmente cumprir um compromisso.”

O Estado informou na edição desta terça-feira, 5, que o governo estuda medidas para estimular a construção, que responde rápido aos incentivos, como forma de reanimar a economia. A nova estratégia foi batizada no Palácio do Planalto de “novo PAC”.

De acordo com os números do setor, o governo fechou 2015 com dívida de R$ 3 bilhões em contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), R$ 1,8 bilhão do Ministério das Cidades em obras de saneamento, R$ 1,5 bilhão do Ministério da Integração Nacional e R$ 400 milhões da Valec, estatal federal que cuida de ferrovias. Esse valor de R$ 6,7 bilhões considera apenas as obras que foram efetivamente executadas e faturadas.

Martins participa do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, colegiado formado por representantes da iniciativa privada no qual a presidente Dilma Rousseff aposta para tentar buscar soluções para reverter a crise econômica em 2016. Para ele, a equipe econômica poderia aproveitar o momento de “despedalar” – pagamento total dos R$ 55,8 bilhões em dívidas com os bancos públicos e com o FGTS – para também zerar o passivo com as empreiteiras.

Lista. Martins entregou à equipe econômica uma lista com as condições necessárias para que sejam retomados os investimentos. A primeira é o pagamento do que está atrasado. Outros itens da pauta são redução da burocracia, com a melhoria dos marcos regulatórios, e ampliação do mercado para que mais empresas possam atuar. As investigações da Operação Lava Jato comprometeram o desempenho das maiores empreiteiras do País.

Os empresários do setor enxergam no programa de concessões e em parcerias público-privadas possibilidades para que se deslanchem os investimentos já neste ano.

O setor ainda guarda o início das contratações do Minha Casa Minha Vida com as regras da terceira etapa. Também procura novas fontes para os financiamentos imobiliários, tendo em vista a sangria de recursos da poupança em 2015 – de janeiro a novembro, os saques superaram os depósitos em mais de R$ 58 bilhões.

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