Paulo Whitaker/Estadão
Paulo Whitaker/Estadão

Para conter impacto da JBS, governo avalia dar créditos para pecuaristas

Agricultura indica que já trabalha com "cenário ruim" para setor doméstico

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 16h00

GENEBRA - Preocupado com o impacto da crise na JBS, o governo estuda abrir créditos para que pecuaristas possam manter a produção brasileira e que o setor não gere um número ainda maior de desempregados. A informação é de Eumar Novacki, secretário-executivo do Ministério da Agricultura, que não esconde estar alarmado com as consequências da situação vivida pela empresa brasileira. 

"Isso de fato é uma situação complexa, delicada. Já estamos trabalhando com um cenário e previsão ruim, não so de exportação. Mas também internamente", disse, lembrando que a JBS é uma das principais compradoras no mercado doméstico. 

"Estamos buscando medidas para que a cadeia produtiva não seja prejudicada", disse. "Queremos estimular que frigoríficos menores para que assumam plantas. Plantas que já foram fechadas estamos conseguindo que sejam retomadas", contou. 

"Estamos trabalhando a possibilidade da abertura de créditos para produtor rural e pecuaristas", defendeu. Isso pode vir dentro do Plano Safra e por meio de instituições financeiras. "Estamos discutindo uma série de alternativas", disse, apontando para a participação eventual doBanco do Brasil e BNDES. "Precisamos entender o tamanho do problema antes", ponderou. 

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Apesar do esforço do governo, o secretário alerta que "muito vai depender da iniciativa privada". "Não vai ser fácil. De fato, vamos ter efeitos e o que precisamos é minimizar esses efeitos", disse. "Queremos que as consequências negativas sejam minimizadas. Mas elas vão ocorrer", admitiu.  

Para ele, é importante que as plantas continuem abatendo. "Precisamos manter os mercados abertos", disse. "Mas internamente, temos de fazer com que a cadeia não pare para que não ocorra uma descontinuidade", explicou.   

Para ele, o "grande desafio" será garantir a renda do pecuarista diante da crise na JBS e do cenário político atual. 

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Dentro do Ministério, a meta é a de terminar 2017 sem perdas nas exportações de carnes. No início do ano, o País havia conseguido fechar acordos com russos, americanos, iranianos e chineses. As projeções de expansão, portanto, eram importantes.

Mas veio a Operação Carne Fraca e, em dois dias úteis, a redução de exportação diária foi de 98,5%. "Praticamente parou", disse. Para completar, a crise na JBS deixou todo o setor em estado de alerta. Em doze meses, a arroba do boi caiu de R$ 156 para apenas R$ 125.

"No lugar de ampliar as vendas, queremos consolidar o que já tínhamos e ter um crescimento de 3% até o final do ano", disse. De acordo com ele, o comércio de carne bovina caiu em 6% entre janeiro e maio. Mas foi compensado por uma pequena alta nas outras carnes. "Se conseguimos empatar, já é um bom resultado", completou.

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