André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Para Cunha, Congresso fez sua parte e governo é culpado pelo rebaixamento

Entre os motivos para o rebaixamento da nota do Brasil, a S&P citou os problemas de relacionamento entre Executivo e Legislativo

Daniel Carvalho e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 13h00

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta quinta-feira, 10, que o Congresso fez sua parte e que a retirada do grau de investimento do Brasil pela agência internacional de classificação de risco Standard & Poor's é culpa do governo. Cunha afirmou que todas as Medidas Provisórias do ajuste fiscal encaminhadas pelo Planalto foram votadas e aprovadas pela Câmara, assim como a reoneração da folha de pagamento de diversos setores e o aumento da alíquota da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) devida por instituições financeiras.

Entre os motivos para o rebaixamento da nota do Brasil, a S&P citou os problemas de relacionamento entre Executivo e Legislativo. "Qual a proposta que o governo mandou este ano que não foi apreciada pela Câmara?", questionou Cunha. "O Congresso não negou nada que o governo pediu, inclusive de aumento tributário, que já houve. Não se pode dizer que esta relação possa estar gerando este tipo de situação", afirmou o peemedebista.

Para Cunha, a culpa da redução da nota é do governo, que enviou ao Legislativo uma proposta orçamentária com déficit de R$ 30,5 bilhões. "A arrecadação caiu violentamente, muito mais que retração da economia, o governo não sinaliza que as despesas (não) vão ser aumentadas, o governo não tem a confiança dos mercados, dos investidores e dos consumidores para manter a atividade econômica. Isso precisa ser restabelecido. Se você não restabelecer isso, você não vai recuperar", afirmou.

Em consonância com o discurso adotado pelo PMDB nos últimos dias, Cunha defendeu que o governo sinalize com corte de despesas para tentar resgatar a credibilidade. "O equilíbrio orçamentário tem que se dar por iniciativa do governo, através de corte de gastos. Se o governo não fizer isso, não será dado o primeiro passo para normalizar a situação", afirmou. "Tem que olhar o que pode cortar. Você só gasta aquilo que você ganha. Qualquer cidadão que recebe salário não pode gastar mais do que o salário que ele recebe. Se nós não fazemos isso também com o governo, não temos credibilidade para cobrar mais da sociedade", disse Cunha.

O presidente disse que o Planalto peca ao não definir claramente sua política econômica. "A única coisa que veio até agora é corte ou aumento de impostos. O governo não disse qual vai ser a sua política econômica complementar a partir daí. Se a gente não olhar o que vai acontecer, fica muito difícil a gente entender qual a travessia que ele quer fazer", afirmou.

Cunha também condicionou o cumprimento da meta de superávit primário das contas públicas de 0,7% do PIB no ano que vem à retomada da confiança na economia. "Se ela (presidente Dilma) conseguir reduzir despesa e conseguir aumentar arrecadação pela retomada da confiança na economia, é possível (que atinja a meta). Se este aumento de arrecadação for se dar por aumento de impostos, acho pouco provável", disse o presidente da Câmara.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.