Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Para economistas, autônomos e informais sustentam alta do emprego

Queda do desemprego no País, registrado na última Pnad, gera percepção positiva, mas perfil das vagas criadas - predominantemente informais - sugere que a recuperação do mercado de trabalho ainda será longo

Caio Rinaldi e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 17h24

A queda do número de desempregados no País, constatada pela última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), gerou a percepção positiva de que a ocupação tem avançado e acompanha o início da retomada econômica, avaliam economistas consultados pelo Broadcast. Ainda assim, o perfil das vagas criadas, predominantemente informais ou autônomas, sugere que o caminho para uma recuperação satisfatória do mercado de trabalho ainda é longo e depende de maior intensidade na atividade econômica.

A chegada de trabalhadores ao mercado pela informalidade ainda vem predominando em relação à formalidade, avalia Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria. Ele explicou que, da criação de cerca de 1,5 milhão de vagas em setembro na comparação com igual período de 2016, cerca de 1 milhão de postos se deve ao segmento por conta própria e 640 mil sem registro formal. "Já com carteira assinada ainda houve demissão, o que está contribuindo negativamente. A entrada ainda é pela informalidade", disse.

A melhora do emprego poderia ter sido ainda maior em setembro, mas também houve expansão da População Economicamente Ativa (PEA), lembrou o economista da GO Associados, Luiz Fernando Castelli. "A PEA cresceu, a taxa de participação está subindo e o pessoal continua buscando emprego. Não fosse isso, talvez o desemprego caísse ainda mais", explicou ao Broadcast.

O economista apontou ainda que o mercado de trabalho tem, tradicionalmente, uma defasagem de cerca de dois trimestres em relação à atividade econômica. "Se a retomada se confirmar neste último trimestre de 2017, o mercado de trabalho deve começar a ter dados mais firmes a partir do segundo trimestre de 2018."

O economista e diretor de pesquisas para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, compartilha da avaliação. "No geral, o mercado de trabalho se estabilizou antes do esperado e os dados recentes sobre a dinâmica de emprego e renda real são encorajadores. Ainda assim, a composição de novos empregos é formada por empregos de qualidade relativamente baixa e o emprego formal ainda está em contração em relação ao ano passado", ressaltou, em nota para clientes.

Com um ambiente mais positivo no mercado de trabalho, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, avalia que os trabalhadores tendem a ficar menos inseguros de perder o emprego e passarão a consumir mais, o que, por sua vez, tende a beneficiar o próprio mercado de trabalho. Além disso, também é possível que haja alguma influência sobre as eleições presidenciais de 2018. "Pode ajudar os discursos de quem pretende dar continuidade ao que estamos vendo hoje", afirma.

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