Para embaixador, Brasil é candidato ao investimento chinês

Roberto Jaguaribe, que assume o posto na China em outubro, vê chances de o Brasil absorver investimentos

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2015 | 02h02

BRASÍLIA - As mudanças de rumo da economia chinesa são oportunidade para mudar a relação entre o Brasil e a China, na opinião do embaixador Roberto Jaguaribe, que assume o posto no país asiático no mês que vem.

"A China já está ciente da incapacidade de ser o que planejava há 20 anos: o santo global de manufatura de tudo. Eles estão cientes de que é necessário investir em produção fora do país. E o Brasil é candidato importante e natural para avançar neste mercado", disse Jaguaribe ao Estado.

Com o fim do boom das commodities e a desaceleração da economia chinesa, o Brasil precisa atrair investimentos chineses em outras áreas, sendo as mais promissoras, segundo o embaixador, infraestrutura e produção de alimentos.

A China está intensificando o seu processo de urbanização, o que aumenta a demanda por produtos industrializados agrícolas e de produção animal, áreas com potencial de expansão para o agronegócio brasileiro, segundo Jaguaribe.

O embaixador se reuniu com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que insistiu na necessidade de se firmar um acordo de preferência tarifária com o país asiático. Por meio desse acordo, os dois países escolhem um grupo de produtos que podem ser vendidos livremente.

Jaguaribe disse que o Brasil ainda quer ampliar os investimentos em infraestrutura, energia e ciência e tecnologia. Antes de assumir o cargo, ele está passando por uma "romaria" entre os ministérios.

"Essa conjuntura de volatilidade que vemos nos dois países não afeta os compromissos já assumidos, nem a ampliação do potencial da relação", disse o embaixador.

Desafios. Assim como o Brasil, a China enfrenta desafios econômicos. Uma combinação de fatores levou à deterioração das expectativas: a desaceleração da atividade, mesmo com vários estímulos, a queda na Bolsa, a saída de capitais e as incertezas quanto à nova política cambial são alguns dos ingredientes.

O Brasil tem parceria com a China em duas grandes fontes de financiamento em infraestrutura: o Banco Asiático de Desenvolvimento em Infraestrutura (AIIB) e o banco dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

A primeira instituição, sob liderança da China, se contrapõe ao Banco de Desenvolvimento da Ásia, que tem forte influência americana.

Já o banco dos Brics, com sede em Xangai, foi concebido como alternativa desses países ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Além da relação comercial, o embaixador tem a missão de estreitar o entendimento dos dois países sobre governança global.

O Brasil tenta angariar o apoio chinês para seu desejo de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A China já declarou apoio à pretensão brasileira, mas, na prática, ficou na retórica.

Interessa ao Brasil também a experiência da China como anfitriã dos Jogos Olímpicos, em 2008.

A próxima Olimpíada terá como sede o Rio de Janeiro, em 2016. De acordo com o embaixador, a China foi bem-sucedida tanto na organização do evento esportivo como na formação dos atletas.

Mais conteúdo sobre:
China

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.