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Para investidor, saída para a Petrobrás é a recuperação judicial

Segundo Mark Mobius, esta seria a única forma de a estatal fazer frente à sua dívida, ‘que não é administrável’

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Cynthia Decloedt,
O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2016 | 05h00

A Petrobrás terá de recorrer à recuperação judicial para fazer frente à suas dívidas, disse Mark Mobius, presidente executivo da gestora Franklin Templeton Emerging Markets, considerado o guru dos mercados emergentes. Ele considera que os aspectos legais são muito complicados, porque é uma empresa estatal, e também por conta das garantias. “Mas esta é a única solução, pois, com a recuperação judicial, é possível reduzir a dívida – e acredito que reduzir a dívida é parte da solução para a Petrobrás. Muitos bancos já fizeram baixa contábil em sua exposição nela”, disse ontem, em conversa com jornalistas. Para Mobius a dívida da estatal não é administrável.

Ele acredita que um eventual processo de recuperação judicial da Petrobrás deve acontecer no Brasil e também no exterior. Mobius disse ainda que o governo terá de colocar recursos na companhia, pois, para a empresa ser lucrativa e viável, o preço do petróleo deveria estar em torno de US$ 80 o barril.

Os investidores devem ficar assustados com isso, disse Mobius. “Eles na verdade já estão assustados”, completou. Mas acrescentou que muitos desses investidores já se protegeram dessa possibilidade, por meio de compra de posição em credit default swap (CDS), contratos de proteção contra calote. “Os investidores já venderam suas posições para os fundos de hedge”, destacou.

A gestora Templeton Emerging Markets zerou posição há seis meses na Petrobrás, por conta de preocupações com os desdobramentos das investigações da Operação Lava Jato. Mobius destacou que o “escândalo” envolvendo a companhia foi o motivo das vendas. 

“Percebemos que o escândalo poderia ser um grande problema para a companhia e que haveria grande pressão dos investidores. Vendemos com grande perda, assim como está acontecendo em todas as nossas posições em Brasil. Mas isso faz parte do jogo e trata-se de uma questão de curto prazo.” 

Mobius explicou que, de modo geral, a exposição em Brasil está menor este ano, refletindo os resgates feitos por investidores. Ele justificou ainda que alguns fundos acompanham índices, e que isso remete à redução de exposição no País.

Entre as companhias que estão na carteira dos fundos Templeton, Mobius citou Itaú Unibanco, Bradesco, Ambev, Localiza e BM&FBovespa. Ele considera que Itaú e Bradesco estão baratos na Bolsa. Mobius disse ainda que normalmente seus fundos movem muito pouco suas posições. As alocações em Brasil pelos fundos da Franklin Templeton estão abaixo de US$ 1 bilhão, menos que o registrado no final do ano passado, quando estavam um pouco acima de US$ 1 bilhão.

Os saques entre os fundos da Franklin Templeton não têm ocorrido somente em Brasil. De acordo com reportagem publicada na terça-feira pela agência de notícias Dow Jones, a Franklin Resources, que opera os fundos Franklin Templeton, informou queda de 13% nos ativos sob administração, globalmente, no quarto trimestre em relação ao ano anterior.

 

Risco. Para Mobius, a queda na confiança do consumidor é o maior risco ao Brasil nesse momento. “Quando os consumidores estão inseguros quanto à inflação, aos salários e quanto à manutenção de seus empregos, quando perdem a confiança, as lojas fecham e as empresas começam a demitir”, disse.

Mobius indicou também que, do ponto de vista do investidor estrangeiro, existe pessimismo nesse momento, e ainda não há clara sinalização se os ativos já refletem seu preço real. “O Brasil é um grande mercado e tem muito potencial.”

Mobius disse não estar desapontado com o desempenho do Brasil, embora estivesse mais otimista em relação ao País no segundo semestre do ano passado, quando esteve aqui. Ele lembrou que visita o País desde a década de 1980, quando a inflação rondava os 2.000% ao mês. “Colocando em perspectiva, a trajetória do País não é ruim”, avaliou.

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