Washington Alves / ESTADÃO
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Para Ipea, investimento ainda não mostra recuperação

O Ipea estima que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, indicador que mede a taxa de investimentos na economia) recue 1,9% em 2017

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 21h52

RIO - Apesar dos bons resultados na produção de bens de capital e importação de máquinas e equipamentos em maio, ainda não há uma trajetória clara de recuperação dos investimentos no País, avaliou o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Ronaldo de Souza Júnior.

O Ipea estima que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, indicador que mede a taxa de investimentos na economia) recue 1,9% em 2017, mas volte a crescer em 2018, com expansão de 3,3%.

“A situação atual do setor industrial é de estabilidade, ainda não há uma tendência de crescimento da produção. Mas a gente projeta que, já nesse segundo semestre, a economia comece uma retomada gradual”, disse Souza Júnior.

Na passagem de abril para maio, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) avançou 2,9%, puxando a alta de 1,6% no Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo do período. O Came é calculado por meio da soma da produção industrial brasileira de bens de capital com as importações de máquinas e equipamentos, excluindo da conta as exportações desses bens.

A produção doméstica de bens de capital subiu 2,8% em maio na comparação com abril, enquanto o volume importado cresceu 1,3%. Ao mesmo tempo, o volume de exportações de bens de capital caiu 3,2% em relação a abril.

Construção. Por outro lado, o indicador de construção civil – que compõe a FBCF junto com o Came – teve um recuo de 0,7% em maio, a quarta queda consecutiva.

“A construção civil ainda está em trajetória negativa, os últimos quatro meses foram de quedas. É natural, porque há uma ociosidade tanto no segmento comercial quanto no residencial. Mas em máquinas e equipamentos você tem de repor a depreciação e também investir para diminuir custos de produção, ficar mais competitivo. É por isso que há esse contraste tão grande”, avaliou o diretor do Ipea.

Na comparação com maio do ano anterior, a construção despencou 9,1%, ao passo que o consumo aparente saltou 9,9%. Entretanto, na avaliação de Souza Júnior, a construção também deve mostrar resultado mais positivo em breve, acompanhando a recuperação da atividade econômica como um todo.

“A construção civil está num processo de ajuste há algum tempo, mas esse ajuste também vai passar”, previu.

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