Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Brasil só deve ser rebaixado se Previdência não for aprovada em fevereiro, diz Meirelles

Em entrevista à Rádio Eldorado, ministro da Fazenda disse deve conversar com agências de risco na quinta-feira; sobre candidatura à presidência, ele afirmou que pesquisas devem pesar, mas só no ano que vem

André Italo Rocha e Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2017 | 18h55

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira, em entrevista ao programa Conexão Estadão, da Rádio Eldorado, que considera mais razoável que as agências de classificação de risco esperem até a votação da reforma da Previdência, em fevereiro, para tomar uma decisão sobre o rating do Brasil, em vez de se anteciparem ao Congresso.

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Ele disse que vai conversar com as agências nesta próxima quinta-feira, por telefone, e explicar que o governo continua trabalhando com a possibilidade de aprovar a reforma no começo do ano que vem.

Para o ministro, as agências só devem rebaixar novamente a nota do Brasil se a proposta não for aprovada no Congresso. "Se alguma se antecipar, está no direito delas", disse Meirelles, que acrescentou que não acredita que um possível rebaixamento antecipado teria influência na votação da reforma.

Meirelles ressaltou que a postura das agências é muito importante para a economia, porque tem efeito sobre o custo de captação das empresas do País, mas lembrou que, quando a reforma foi adiada para o ano que vem, o risco Brasil pouco se mexeu. "Está claro, principalmente no exterior, que aqueles que compram papéis brasileiros continuam apostando que reforma será votada e aprovada em fevereiro."

Ainda sobre as agências, o ministro lembrou uma frase que tem dito em diversas entrevistas: "eu faço o meu trabalho e elas fazem o trabalho delas".

Candidato. Cotado para concorrer à eleição presidencia no ano que vem pelo partido PSD, Meirelles afirmou que um dos fatores que vão pesar na sua decisão de ser ou não presidenciável, no fim de março do ano que vem, será a sua própria avaliação sobre a chance de vencer a disputa, com base nas pesquisas de intenção de voto e apoio de partidos. 

"Ninguém vai se candidatar achando que vai perder", disse o atual ministro da Fazenda.

Meirelles ressaltou que, pelo menos por enquanto, ainda não é candidato e que isso seria um dos motivos para que ele apareça mal posicionado nas pesquisas mais recentes, diferentemente de pré-candidatos como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem viajado o Brasil. 

"Minha atuação é estritamente na defesa do ajuste fiscal, da política econômica e quando vou a um local é basicamente para isso. Estou concentrado na agenda para o Brasil voltar a crescer", afirmou.

Ele reafirmou que só tomará uma decisão sobre candidatura entre fim de março e início de abril. "Hoje, uma pesquisa estática a um ano da eleição reflete uma posição muito pouco realista com relação ao que vai acontecer lá perto do debate", disse o ministro. 

Além disso, declarou Meirelles, as conversas preliminares com partidos, políticos e com o próprio governo também vão influenciar a sua decisão, "além de uma decisão pessoal, se estou realmente decidido e disposto".

Caso seja candidato, acrescentou Meirelles, vai trabalhar para que seja viável eleitoralmente e prometeu que fará um debate "direto e objetivo" sobre questões que estão discussão, em referência à política econômica. Disse ainda que, em eventuais debates eleitorais, vai se colocar contra uma política econômica que ele considera populista e que seria defendida por Lula ou Bolsonaro. "Vou estar colocando minhas opiniões, caso esteja no debate, de porque está equivocado". 

 

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