FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Para Meirelles, leilão ficou 'um pouco abaixo do esperado'

Ministro da Fazenda diz que, no entanto, saldo é positivo do ponto de vista do Orçamento de 2017; governo arrecadou R$ 6,15 bi, abaixo da estimativa de R$ 7,7 bi

Idiana Tomazelli, Enviada especial

27 Outubro 2017 | 16h06

VITÓRIA e RIO- O resultado abaixo dos R$ 7,7 bilhões projetados como a arrecadação com o leilão de áreas do pré-sal hoje foi considerado "um processo normal" pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. 

Em Vila Velha (ES), onde almoçou com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, Meirelles destacou ainda que o saldo é positivo do ponto de vista do Orçamento de 2017, considerando o ágio obtido pelo governo nos recentes leilões de hidrelétricas e de blocos de exploração de petróleo pelo regime de concessões, realizados em setembro.

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"Existem leilões que dão resultado um pouquinho melhor, outros que dão resultado pior. O leilão anterior deu resultado bem melhor do que o esperado, aqueles leilões de hidrelétricas e de petróleo foram melhores em mais de R$ 3 bilhões. Este foi mais de R$ 1 bilhão abaixo do esperado", disse Meirelles.

As segundas e terceiras rodadas de leilão foram realizadas nesta sexta-feira, mas duas áreas não foram arrematadas, o que reduziu a arrecadação do governo para R$ 6,15 bilhões, abaixo da expectativa, que era de R$ 7,75 bilhões.

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"É normal de leilões, alguns superam estimativa, outros não superam, mas se nós somarmos o que já foi feito, o saldo ainda é positivo, apesar desse resultado um pouco abaixo do esperado", reforçou o ministro.

No leilão das usinas hidrelétricas, o governo esperava R$ 11 bilhões, mas arrecadou R$ 12,13 bilhões. Já na concessão das áreas de petróleo na 13ª rodada, realizada em setembro, as outorgas somaram R$ 3,842 bilhões, contra expectativa de cerca de R$ 500 milhões.

Vencedoras. Os dois leilões do pré-sal nesta sexta-feira, 27, tiveram seis blocos arrematados, dos oito ofertados, com a arrecadação de um total de R$ 6,15 bilhões, com destaque para a participação da Shell, segunda maior produtora de petróleo do Brasil, que participou de lances por todas as áreas negociadas e levou três prospectos.

Apesar de o bônus ter ficado abaixo do previsto (R$ 7,7 bilhões), uma vez que o governo tinha a expectativa de que todos os blocos seriam arrematados, o governo levou elevados percentuais de óleo nas rodadas, que foram sob partilha de produção, com forte competição nas áreas de Peroba e Norte de Carcará.

Nas licitações de partilha, as empresas vencedoras são as que oferecem ao País, a partir de um porcentual mínimo fixado, o maior porcentual de excedente em óleo. O bônus é fixo.

Apenas consórcios liderados por empresas que já são operadoras no pré-sal brasileiro (Petrobrás, Shell e Statoil) venceram o leilão, ante expectativa do governo de ver uma diversificação das lideranças na importante província petrolífera.

“Nossa participação foi super ativa, estou extremamente feliz e seremos operadores em dois blocos, o que é extremamente importante para nós”, disse o CEO da Shell no Brasil, André Araújo, a jornalistas.

Apesar de a operação das novas áreas seguir nas mãos das companhias que já atuam no Brasil, o leilão mostrou a entrada de novas empresas no polígono do pré-sal, como a norte-americana Exxon.

Na lei atual, áreas do polígono do pré-sal apenas podem ser leiloadas sob regime de partilha de produção.

Como esperado pelo mercado, as áreas de Entorno de Sapinhoá e Gato do Mato foram arrematadas por consórcios que já atuam em áreas adjacentes.

No caso do Entorno de Sapinhoá, o consórcio vencedor foi Petrobras, Shell e Repsol Sinopec. Já no caso de Gato do Mato, venceram as petroleiras Shell e Total.

Peroba, área bastante concorrida no dia, com a disputa de três consórcios, foi vencida por Petrobrás, BP e CNODC, com oferta de 76,96 por cento de óleo à União.

A área de Carcará foi vencida pelo consórcio Statoil, Exxon e Petrogal, marcando novamente o interesse da gigante Exxon no pré-sal brasileiro.

A área de Alto de Cabo Frio Central foi levada por Petrobras e BP e Alto de Cabo Frio Oeste, por Shell, QPI e CNOOC.

Pau Brasil e Sudoeste de Tartaruga Verde não receberam lances, mesmo após duas oportunidades oferecidas para cada uma durante os leilões. Ambas as áreas voltarão a ser ofertadas em algum momento, segundo a reguladora ANP.

 

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