Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Meirelles, rebaixamento foi técnico e não deve ser politizado

Ministro da Fazenda definiu revés como 'pontual' e que melhora na nota é 'questão de tempo'

Fabrício de Castro, Lorenna Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2018 | 17h04

BRASÍLIA - Um dia após a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixar o rating do Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a mudança para melhor da nota de crédito do País é uma "questão de tempo". Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 12, ele procurou minimizar o revés, apontando a decisão da agência como "uma questão pontual". O ministro acredita que o novo rebaixamento é uma decisão técnica e não deve ser transformado em uma "grande questão política". "Isso é uma questão pontual, não é um grande evento político no país."

Para justificar sua confiança na recuperação do rating do País, Meirelles fez referência à votação da reforma da Previdência – o atraso no avanço das mudanças nas regras das aposentadorias foi um dos motivos apontados pela S&P para a decisão de alterar a nota de crédito brasileira. "Estamos seguros de que a reforma será aprovada. Como outras medidas já foram". Ele pontuou também que, apesar do rebaixamento, a S&P melhorou a perspectiva da nota brasileira, de negativa para estável. "Significa que existe previsão de estabilidade por um período."

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Ele citou pontos abordados pela agência ao tratar da redução da nota do País, como a continuação do crescimento econômico, da inflação sob controle e a aprovação da reforma da Previdência, qualificada por Meirelles como "fundamental", e de outros projetos de ajuste fiscal. "Continuamos afirmando que, em nossa avaliação, serão aprovados", disse. "Já manifestamos isso aqui e no exterior."

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Meirelles listou ainda uma série de projetos que influenciam a área fiscal que já foram aprovados ou estarão em andamento. Entre eles, o ministro lembrou do projeto da mudança da tributação dos fundos de investimento, da reoneração das folhas de pagamento "já este ano" e do adiamento do aumento dos funcionários públicos, "que está sendo julgado no Judiciário". "Tudo isso nos parece que será favorável", afirmou.

O ministrou lembrou que o Congresso Nacional aprovou o teto de gastos, considerado fundamental para o País, além da reforma trabalhista, da lei de governança das estatais, da Taxa de Longo Prazo (TLP), do cadastro positivo (ainda em tramitação) e da duplicata eletrônica. "Existe histórico de aprovação (no Congresso) de questões relevantes para o País. (Isso) deve continuar ocorrendo", afirmou. 

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"A agência normalmente vai de forma um pouco mais conservadora, o que é normal. Isso aconteceu também em 2017", acrescentou Meirelles, em referência à S&P. "O Brasil está em processo de recuperação de forma sólida", disse, citando a perspectiva de criação de 2 milhões de empregos este ano. 

'Quando mais, melhor'. Em um momento em que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se articula para disputar a presidência da República, o ministro da Fazenda avaliou que "quanto mais candidatos, melhor". A declaração foi dada ao ser questionado sobre a candidatura de Maia, que pode atrapalhar os planos do próprio Meirelles de concorrer com o apoio do governo.

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"É absolutamente legítimo, normal e saudável que líderes relevantes do País possam considerar a possibilidade de postular à Presidência da República. É uma parte importante da democracia e, quanto mais postulantes e candidatos, melhor para que a população tenha condições de escolher", afirmou.

Meirelles voltou a dizer que não tem pensado na candidatura à Presidência e que decidirá sobre o assunto em abril. "Sou ministro da Fazenda em período integral, continuo sendo", afirmou, dizendo que vários fatores podem pesar nessa decisão, entre os quais sua disposição pessoal.

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Ele tem sido criticado por parlamentares por se movimentar para concorrer à presidência enquanto atua como ministro da Fazenda.

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