Mike Segar/Reuters
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Para Moody's, governo tenta mostrar controle

Segundo agência, que mantém o Brasil como grau de investimento, pacote fiscal confirma compromisso com a meta fiscal de 2016

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2015 | 02h01

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Moody's classificou o pacote fiscal anunciado pela equipe econômica na segunda-feira como "uma tentativa do governo de demonstrar que está no controle e agindo de forma proativa para enfrentar a situação fiscal". Segundo Mauro Leos, analista sênior da agência, "o objetivo desse novo pacote fiscal é manter a sustentabilidade fiscal à luz de indicações de que o governo não terá condições de entregar um superávit primário em 2016".

De acordo com o analista, o anúncio do governo de medidas para combater a rigidez do Orçamento "confirma o compromisso do Brasil de atingir a meta do superávit primário de 0,7% do PIB para o próximo ano, apesar da complicada dinâmica política e recessão econômica", apontou, em nota. "Do ponto de vista da Moody's, a proposta representa uma abordagem mais balanceada que a anterior, que consistia em sua maioria em medidas na área de receitas. Esta proposta enfrenta o persistente aumento de despesas por anos."

Leos ressaltou que o Brasil voltou a renovar a atenção na gestão das contas públicas, mas ainda é "modesta" a meta de superávit primário de 0,7% do PIB para 2016. "Enquanto o plano é positivo, pois sinaliza que o Brasil renovou o foco em questões fiscais, a meta do primário é modesta e consistente com nossa visão de que a proporção da dívida (ante o PIB) continuará a subir em 2015-2016."

Para a Moody's, diminuir a rigidez do lado das despesas "é crítico para estabilizar a proporção da dívida, uma condição necessária para o Brasil preservar seu rating Baa3 com perspectiva estável".

O Brasil perdeu na semana passada o grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador, da agência Standard & Poor's, mas ainda se mantém fora do grau especulativo nas outras duas agências, a Fitch e a própria Moody's. No caso desta última, o País foi rebaixado em um degrau em agosto, e se for rebaixado mais uma vez, perde o grau de investimento. No caso da Fitch, ainda está dois degraus acima do grau especulativo.

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