Para quem eles vão passar o comando?

Trabuco, do Bradesco, e Setubal, do Itaú, devem deixar seus cargos até 2017: mercado já faz 'bolsa de apostas' de possíveis substitutos

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2014 | 02h04

Os dois maiores bancos privados brasileiros passarão por um processo de sucessão quase simultâneo nos próximos anos. Tanto o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, quanto Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, estão perto de completar a idade limite estabelecida nos respectivos estatutos e, com isso, terão de entregar o bastão a novos representantes.

Alguns nomes já são bastante comentados por executivos no mercado, mas, até agora, nenhuma decisão oficial foi tomada quanto aos próximos candidatos. No Bradesco, a troca de comando deve acontecer primeiro. Trabuco, que faz 63 anos mês que vem, alcança a idade-limite de 65 anos para chefiar o banco em outubro de 2016, e sua saída deve ocorrer após a assembleia, agendada para março do ano seguinte.

Dentre os seus possíveis substitutos, segundo fontes, estão quatro vice-presidentes: Marco Antonio Rossi, Sérgio Clemente, Domingos Figueiredo de Abreu e Maurício Machado de Minas. O critério de escolha deve seguir a linha adotada na eleição de Trabuco, com a priorização de um executivo de carreira no Bradesco.

Já no Itaú Unibanco, o assunto é mais polêmico. Roberto Setubal está à frente da instituição há 20 anos e já postergou sua saída uma vez. Além de um novo adiamento não ser descartado por fontes de mercado, a gestão do banco será compartilhada e, por isso, dois executivos devem ser escolhidos - um para varejo e outro para atacado.

Os nomes mais cotados para preencher os cargos, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, são os vice-presidentes Márcio Schettini, Marco Bonomi e Ricardo Villela Marino e o presidente do Itaú BBA, Candido Bracher.

Entre os executivos cotados para os cargos máximos nos dois bancos, disseram fontes, o esforço para se destacar inclui não só o cuidado com a formação profissional, mas também com a rede de contatos e até com a aparência.

Disputa. Rossi, presidente da Bradesco Seguros, é o mais jovem entre os possíveis candidatos à presidência do Bradesco. Nascido em 1961, o executivo terá acabado de completar 56 anos no momento da eleição do substituto de Trabuco. Teria, portanto, uma década para comandar o banco. O fato de estar na área de seguros é visto como uma vantagem, já que o setor responde por 30% do lucro do banco. Além disso, ele é bem próximo de Trabuco.

Os demais candidatos à presidência do Bradesco têm todos 55 anos. Em março de 2017, quando está prevista a saída de Trabuco, terão 58 anos, ou seja, pelo menos sete anos para comandar o Bradesco, quase o mesmo período de Trabuco, que completará oito anos à frente do banco até sua saída.

Abreu, que responde pelas áreas de crédito e tesouraria, entre outras, e Minas, à frente da área de tecnologia e canais digitais do banco - segmentos fundamentais para o negócio bancário na atualidade -, são consideradas boas opções, segundo fontes. Enfrentarão a concorrência de Clemente, que responde pelo banco de atacado e de investimentos do Bradesco, o BBI, e pela área de private banking.

No caso do Itaú Unibanco, um herdeiro está entre os cotados para a sucessão. Segundo executivos de mercado, Ricardo Villela Marino, filho de Milu Villela, está sendo preparado há bastante tempo para assumir o posto máximo no Itaú Unibanco. Ele completou 40 anos em 2014, mesma idade com a qual Setubal assumiu a presidência da instituição.

Segundo fontes de mercado, no entanto, pode ser que Marino, que é bastante jovem, opte por esperar um pouco mais antes de se candidatar ao posto - o que abre espaço para executivos de carreira do banco.

Entre eles está Candido Bracher, de 55 anos. Além de bem relacionado com as famílias controladoras do Itaú Unibanco - Setubal, Moreira Salles e Villela -, tem sido elogiado por seus feitos na área de atacado. Portanto, responder pelo segmento seria um passo natural.

Márcio Schettini, 50 anos, que cuidava da área de crédito no Unibanco, é candidato a assumir o varejo do Itaú. É diretor vice-presidente do banco desde 2008 e responde pela gestão operacional do banco de varejo.

Marco Bonomi, que está há mais de uma década do Itaú, aos 58 anos, é diretor vice-presidente do banco desde abril de 2007. Ele responde pela rede de agências e, embora também seja nome forte para o varejo, pode ser atrapalhado pela idade, pois terá mais de 60 anos em 2017.

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