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Para segurar o dólar, BC estende programa de leilão de câmbio

Reuters e Agência Estado

06 Junho 2014 | 19h 24

Programa estava previsto para terminar em 30 de junho; para economista, decisão sinaliza que BC prevê volatilidade cambial

O Banco Central anunciou nesta sexta-feira a extensão do programa de liquidez no mercado de câmbio que estava programado para acabar no dia 30 de junho. A manutenção dos leilões de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) tem como objetivo, segundo o BC, dar proteção e liquidez ao mercado.

Os detalhes do programa, contudo, como prazo e montante das operações, não foram divulgados. A expectativa de agentes do mercado é de que o BC reduza o escopo do programa, com uma queda no número de swaps ofertados diariamente.

O BC realiza leilões regularmente desde 22 de agosto do ano passado, quando o dólar chegou a R$ 2,45. Na primeira fase do programa, entre agosto e dezembro, o BC realizou quatro leilões diários por semana de até 10 mil contratos, e um leilão semanal de dólar com compromisso de recompra. A partir de janeiro, o BC passou a ofertar diariamente 4 mil contratos de swaps.

"Considerando que a necessidade de proteção cambial (hedge) demandada pelos agentes econômicos vem sendo atendida pelo programa de leilões de swap e venda de dólares... e ainda com o objetivo de continuar provendo hedge cambial e liquidez ao mercado de câmbio, o BC estenderá, a partir de 1º de julho de 2014, o programa de leilões de swap cambial", disse o BC em comunicado.

Para Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, o BC está sinalizando que espera volatilidade cambial nos próximos meses, tanto em função das eleições como por fatores externos.

"O BC está dizendo que vai ter volatilidade e que ele está pronto para agir", avaliou Velho. "Essa volatilidade ocorre em função de eventos domésticos e externos. Em todo o país, às vésperas de eleições presidenciais, há um movimento de cautela e isso bate no dólar", observou. Ainda na avaliação do economista, a recuperação dos Estados Unidos e a redução dos juros na Europa são fontes para a volatilidade do câmbio.