Simon Dawson/Bloomberg/Getty Images - 13/9/2013
Simon Dawson/Bloomberg/Getty Images - 13/9/2013

Para S&P, janela de oportunidade está se fechando para o Brasil

Executivo da agência de classificação de risco diz que aprovar reforma da Previdência é vital para enfrentar a crise fiscal

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 05h00

RIO - As atenções da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), ao analisar a nota do Brasil nos próximos meses, estão voltadas para as questões domésticas porque a origem da crise de endividamento vivida pelo País vem de problemas fiscais, assim como ocorreu com a Grécia. Segundo o executivo chefe global de ratings soberanos da S&P, Moritz Kraemer, a reforma da Previdência seria um primeiro passo na direção de enfrentar a crise fiscal, percurso que exigirá várias reformas ao longo de vários anos, passando por mais de um governo.

“Se você tem um longo caminho a percorrer, é melhor começar mais cedo, pois assim você saberá que chegará a tempo”, afirmou Kraemer ao Estado, após participar de um seminário ontem na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

Entre as reformas, o executivo destacou a previdenciária. “Ela terá um importante efeito de sinalização. Se você não pode dar o primeiro passo, que confiança teremos? Se o Brasil não tomar esse caminho, o teto de gastos é inatingível”, disse Kraemer.

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Prazos. O último relatório da S&P sobre o Brasil foi divulgado em agosto, quando a agência reafirmou a nota BB, com perspectiva negativa. Segundo Kraemer, o documento alertava que um novo rebaixamento poderia ser decidido no prazo de seis a nove meses. De lá para cá, se passaram “três ou quatro meses” e a “janela de oportunidade” para a aprovação da reforma da Previdência está se fechando, diante do ano eleitoral em 2018. “Se não virmos nenhum sinal de que as instituições são capazes de fazer uma coalizão em torno de um projeto de reforma pelo bem do País no longo prazo, podemos reavaliar nossa visão”, afirmou Kraemer.

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Normalmente, lembrou o executivo, crises de endividamento são associadas a problemas na balança de pagamentos. Foi assim, disse, em outras crises. Uma das poucas exceções foi a Grécia, onde o déficit das contas públicas foi o gatilho: “Embora a Grécia tivesse um grande desequilíbrio externo, o gatilho real para investidores perderam sua fé foi quando o déficit foi subindo e subindo até que ele fosse duas vezes maior do que o esperado.”

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Para o executivo, embora a atual crise do Brasil também tenha origem fiscal, é muito diferente porque o lado externo está bom: “Mas o lado fiscal está bastante abaixo da média. Esse é o real calcanhar de Aquiles”.

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