VALERIA GONCALVEZ/AE
VALERIA GONCALVEZ/AE

Parceria favorece acesso do jovem ao 1º emprego

Acordos de empresas com o Senai garantem que jovens estudantes consigam qualificação técnica para serem contratados pela indústria

Daniela Rocha- ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2015 | 03h00

As parcerias de empresas com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para a capacitação profissional de jovens têm favorecido o acesso ao primeiro emprego com carteira assinada. Além disso, as indústrias conseguem preencher seus quadros com funcionários com conhecimentos técnicos. 

Os programas de aprendizagem industrial são voltados aos jovens entre 14 e 24 anos (idade máxima para conclusão), que tenham terminado o ensino fundamental ou estejam cursando o ensino médio. Esses cursos de qualificação técnica, com aulas teóricas e práticas nas salas de aula e ainda atividades dentro das empresas, têm carga de 6 a 8 horas diárias e não podem atrapalhar os estudos regulares. São programas de curta duração, que levam de um ano e meio a dois anos para serem concluídos. Atualmente, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a maioria das vagas de emprego abertas exige formação rápida.

As empresas costumam exigir certo conhecimento dos candidatos a uma vaga de trabalho, o que pode barrar quem está no início da vida profissional. Nos programas de aprendizagem industrial, os jovens vão adquirindo experiência ao longo do período de estudo e recebem bolsa-auxílio. “Em função da baixa renda familiar, muitos jovens não teriam possibilidade de estudar na área técnica se não fosse por meio dessa parceria da indústria com o Senai. Mesmo para quem tem melhor poder aquisitivo, fica difícil se formar para depois conseguir emprego”, afirma Marcos Ribeiro, presidente executivo da Unipac, unidade produtora de polímeros da Jacto, holding que também atua em segmentos como máquinas agrícolas, equipamentos de limpeza de alta pressão, ferramentaria e médico-hospitalar. 

Desenvolvimento. Com base de produção em Pompeia, no interior de São Paulo, a preocupação com educação sempre esteve presente na Jacto. Em 1981, a empresa adotou o sistema Toyota de produção, um modelo de manufatura japonês que é bastante colaborativo. Por esse motivo, foi feito um levantamento e notou-se uma lacuna de escolaridade. 

Na época, foi assinado convênio entre a empresa e uma escola municipal para aprimoramento do ensino de matemática e português. Em 1984, foi feita uma parceria com o Senai de Marília no ensino profissionalizante. A Jacto encaminhava estudantes para a cidade vizinha. No fim da década de 1980, a empresa decidiu montar uma escola dentro da organização, o Centro de Aperfeiçoamento Profissional, que depois deu origem à Escola Profissionalizante Chieko Nishimura, com cursos de mecânica e solda. 

A procura dos alunos foi aumentando e, em 1989, a escola teve o suporte do Senai de Marília, que agregou sua metodologia de treinamento e professores altamente qualificados. Foi uma maneira de ampliar a gama de cursos gratuitos. Até que, em 2011, foi fundada a unidade do Senai em Pompeia, chamada de Shunji Nishimura, uma homenagem ao fundador da Jacto, um imigrante japonês de origem humilde que desembarcou no Brasil em 1932, com apenas 20 anos, pouco dinheiro no bolso e um diploma de técnico em mecânica. Ao empreender em Pompeia, Shunji Nishimura alterou a dinâmica econômica e contribuiu para o desenvolvimento da pequena cidade. 

A empresa garante a infraestrutura e o Senai Pompeia coordena os treinamentos. Desde 2011, 463 aprendizes passaram pelas salas de aulas e oficinas, nos cursos de mecânico de usinagem, soldador e operador em processos de transformação em polímeros. A maioria foi absorvida pela Jacto. Mais da metade segue trabalhando ou já atuou na empresa. 

“Uma primeira turma se formou em junho deste ano no novo curso de polímeros industriais. Dos 40 jovens que passaram pela capacitação, 30 foram efetivados. Eles trabalham na manufatura de embalagens e de peças automotivas e, também, na área médico-hospitalar, onde são fabricados implantes ortopédicos e coração artificial”, comenta Marcos Ribeiro. 

Parceria. A multinacional alemã Bosch também investe em educação. No Brasil, a empresa tem uma atuação diversificada nos segmentos de componentes e sistemas automotivos, ferramentas, eletrodomésticos, equipamentos industriais, energia e tecnologia predial. 

Desde 1960, a companhia mantém parceria com o Senai. Ao longo desse período, foram qualificados mais de 2,3 mil profissionais. Hoje, 200 jovens estudam nos Centros de Aprendizagem da Bosch, localizados nas plantas de Campinas (SP) e Curitiba (PR). 

Os investimentos nos jovens talentos são direcionados para a formação nos cursos de operador multifuncional, mecânico industrial de produção, técnico em mecatrônica, técnico eletrônico, fabricação mecânica, técnico mecânico, operador e programador de máquinas CNC (Comando Numérico Computadorizado) e assistente administrativo. 

“Ao longo dos últimos dez anos, cerca de 90% dos aprendizes se tornaram colaboradores da Bosch após a conclusão do programa”, diz Fernando Tourinho, diretor de Recursos Humanos da Bosch América Latina. Segundo ele, a companhia lida com inovação e tecnologia de ponta e, dessa forma, profissionais qualificados são essenciais para o sucesso do negócio. “É uma oportunidade de formarmos mão de obra para o futuro. As pessoas também passam a conhecer e se adaptar à cultura da organização”, acrescenta Tourinho. 

De acordo com o diretor, a contribuição ao ensino técnico faz parte das diretrizes mundiais da companhia. Além do trabalho desenvolvido com o Senai, a Bosch mantém, por meio do Instituto Robert Bosch, braço social da empresa no Brasil, em parceria com a Fundação Iochpe, o programa Formare que oferece aprendizagem profissional de jovens estudantes de famílias de baixa renda. 

Atualmente, estão sendo capacitados 20 jovens entre 16 e 18 anos. “A Bosch tem incentivado os jovens a buscar formação técnica como diferencial competitivo em suas carreiras”, destaca Fernando Tourinho.

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