Paulo Bernardo propõe plano de crescimento sustentado

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, evitou responder diretamente à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que em entrevista chamou de "desqualificado" e "rudimentar" o plano de ajuste fiscal defendido por ele. "Sem dúvida, me parece que ela usou dois adjetivos bastante contundentes, mas eu preferiria não entrar em uma discussão sobre os adjetivos. É melhor fazer uma discussão de substantivos", esquivou-se o ministro. Em entrevista ao Espaço Aberto, da Globo News, ele propôs que o País se volte para o planejamento de longo prazo: "A discussão que colocamos foi de como tornar esse momento positivo que vivemos na nossa economia um movimento sustentável pelos próximos dez ou 12 anos." Base técnica Bernardo argumentou que o plano foi discutido tecnicamente por setores dos ministérios do Planejamento e Fazenda, tendo contado ainda com a participação do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). "Eu não posso concordar que as idéias tenham alguma coisa de rudimentar", devolveu o ministro. Segundo ele, a proposta procura conciliar as aparentemente inconciliáveis pressões por aumento dos gastos públicos e de redução da carga tributária. "Se for possível de ser feito, só pode ser por um movimento de mais longo prazo: temos de buscar ver aquele gasto e onde que nós podemos controlar o crescimento do peso da máquina." Redução dos juros O plano de ajuste fiscal apresentado pelo ministro consiste em conter as despesas correntes do governo, ao longo de dez anos, e, ao mesmo tempo ir diminuindo a carga tributária. "Nós podemos com esse movimento possibilitar uma queda mais brusca nas taxas de juros - um grande desafio no momento -, e, ao mesmo tempo, pode sobrar muito mais recursos para fazer investimentos", salientou Bernardo. Ele lembrou que sem investimentos em infra-estrutura o País poderá se deparar, mais à frente, com os gargalos que estrangulam o crescimento. O problema é recuperar a capacidade de investimento do Estado: "Com juros mais baixos, isso vai aliviar tremendamente a conta do Tesouro". Contingenciamento O ministro lembrou que, no início do ano, o governo foi obrigado a contingenciar uma parte do orçamento de 2005, por entender que não teria condições de executar tudo. "Agora, nós estamos trabalhando para que aquilo que foi definido como autorizado seja executado", garantiu. E deu como exemplo o Ministério dos Transportes, que, mesmo depois dos cortes, conta com cerca de R$ 6 bilhões para gastos da pasta: "E eu considero que eles estão fazendo um bom trabalho; o nível de execução é maior este ano do que a média dos últimos anos". Mesmo assim, Paulo Bernardo previu que o governo conseguirá alcançar - e até mesmo superar - a meta de superávit primário de 4,25% de 2005, relativa aos gastos do governo federal, estatais e também dos Estados e municípios. "Provavelmente vamos ter um resultado maior por conta do que está acontecendo com as estatais, os Estados e municípios, que estão acima do previsto", preveniu.

Agencia Estado,

10 Novembro 2005 | 07h44

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