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Perda de força da Selic explica ciclo longo sem alteração

Quebra de comunicação entre Bolsa, dólar e juros evidencia um quadro em que a política monetária não é mais tão eficaz na moderação das pressões inflacionárias

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José Paulo Kupfer

02 Março 2016 | 21h18

Em outros tempos, nos dias de Copom, os mercados de ativos costumavam antecipar a decisão dos diretores do Banco Central, reunidos no Comitê de Política Monetária. Se a taxa básica de juros subia, Bolsa e dólar caíam – o inverso em geral ocorria quando a Selic era cortada ou mantida. Atualmente, porém, com tantas incertezas e instabilidades predominando nas praças financeiras, lá fora e aqui dentro, a regra deixou de valer.

O Copom manteve a taxa básica inalterada na reunião deste mês, como era esperado por todos. Mas a Bolsa subiu, como se os juros básicos tivessem caído, e o dólar caiu, como se os mesmos juros básicos tivessem subido.

Essa quebra nos vasos de comunicação dos juros para a trajetória dos ativos pode ser interpretada como reflexo de perda de força da política monetária na moderação das pressões inflacionárias. A Selic está estacionada em 14,25% desde fins de julho do ano passado e, segundo grande número de analistas, poderá não sofrer alterações até fins de 2016.

Seria, portanto, quase um ano e meio sem mudanças nos juros, no mais prolongado ciclo de manutenção da taxa básica. Nesse período, os índices de inflação variaram até aqui para cima e tudo indica que vão variar, daqui em diante, para baixo. A dança da Lava Jato e das commodities, sobretudo o petróleo, parecem exercer, no momento, mais influência nos mercados do que as decisões do Copom sobre os juros.

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