Persiste o desaquecimento do setor de construções

Os indicadores do setor da construção civil divulgados nos últimos dias apontam para a continuidade da desaceleração. A situação é pior no tocante às obras de infraestrutura, mas os números relativos à edificação residencial e, em especial, comercial também deixam a desejar.

O Estado de S.Paulo

29 Julho 2014 | 02h04

A Sondagem da Construção, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou queda, pelo quinto mês consecutivo, do Índice de Confiança da Construção (ICST). A variação negativa foi de 10,3% no trimestre maio/julho, em relação ao mesmo período de 2013, superando a registrada em junho (-9,8%). Utilizando os mesmos critérios de avaliação, a queda foi de 3,9% em janeiro. Mais do que a situação real, pioraram as expectativas.

A Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada na última quarta-feira, afirma que "a atividade da construção continua se retraindo e as expectativas não são positivas". Foram insatisfatórios os números relativos ao emprego, à disponibilidade de trabalhadores qualificados, à variação da inadimplência e aos juros. Dois itens - a margem de lucro operacional e a situação financeira - tiveram, no segundo trimestre, a pior avaliação da série histórica. Pioraram também os indicadores mensais e o nível de atividade em relação ao usual - estes já estão na casa dos 40 pontos, inferiores, portanto, aos 50 pontos que separam o otimismo do pessimismo.

Entre junho de 2013 e junho de 2014, as vendas de materiais de construção, no mercado interno, caíram 13,6%. No mês, caíram 11%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). O recuo foi de 4,6% entre os primeiros semestres de 2013 e de 2014. E a indústria de cimento está cortando investimentos em razão do recuo da atividade da construção civil, mostrou o Estado ontem.

Até as operações de crédito realizadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com recursos das cadernetas de poupança, perderam força em junho, com queda de 19,2% em relação a junho de 2013 (de R$ 11,17 bilhões para R$ 9,03 bilhões).

No mercado residencial, é possível supor que junho e julho sejam meses atípicos - influenciados pela paralisia dos negócios em decorrência da Copa do Mundo e das férias. Mas a queda da atividade nas obras de infraestrutura tem maior significado: os governos malogram na tentativa de elevar os investimentos.

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