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Petrobrás apressa a venda de ativos

Abalada pelo escândalo do petrolão, com uma dívida bruta em torno de R$ 500 bilhões, que a fez reduzir drasticamente os investimentos anteriormente previstos, a Petrobrás busca há algum tempo vender ativos no País e no exterior, mas enfrenta muitas dificuldades. Além da insegurança gerada pela crise política, econômica e moral do País, a baixa dos preços do petróleo no mercado internacional reduz o apetite de compradores.

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08 Março 2016 | 04h10

O processo tende a ser lento, mas, pressionada por dificuldades financeiras agudas, a empresa tenta apressá-lo. Há pouco, por meio de fato relevante comunicado ao mercado, a estatal anunciou que entrou em negociações exclusivas para vender sua participação de 63% em sua subsidiária na Argentina à Pampa Energia, empresa do país vizinho que atua principalmente no setor de energia elétrica.

Antes, a Petrobrás tentara vender esses ativos primeiro para a YPF e, em seguida, para a própria Pampa, mas as negociações não prosperaram, tendo sido considerada baixa a oferta de US$ 1,2 bilhão feita por esta última. Com o valor elevado para US$ 1,5 bilhão, a expectativa da estatal é de que o negócio possa ser finalizado no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30.

A operação, se se concretizar, marcará uma reversão da política de internacionalização da Petrobrás. Como se recorda, a estatal brasileira adquiriu em 2002 o controle da Pérez Companc, um dos maiores conglomerados da Argentina, onde fez outros investimentos. O processo de retirada do mercado do país vizinho começou em 2014, quando a Petrobrás se desfez de 26 concessões terrestres de campos de petróleo e gás, na chamada bacia austral da província de Santa Cruz.

A Petrobrás também comunicou que pretende colocar à venda “conjuntos de campos terrestres” em território nacional, concentrados no Nordeste e no Espírito Santo. A estatal planeja arrecadar com essas operações US$ 14,4 bilhões. Há ainda negociações para que a empresa possa se desfazer de participações em petroquímicas nacionais.

Como analistas têm observado, essas operações não se destinam a diminuir a dívida da empresa. O que a Petrobrás objetiva é reforçar as suas necessidades de caixa para atender a compromissos diversos – entre os quais, possivelmente, dívidas com a Receita Federal – sem ter de recorrer a aumento de capital, para o qual não existe ambiente no mercado, dada a difícil situação que enfrenta.

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