Agência Petrobrás
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Petrobrás considera reduzir jornada de trabalho e salário

Em proposta de acordo coletivo, estatal abre espaço para que os funcionários da área administrativa passem a trabalhar 30 horas semanais, o que acarretaria corte de 25% nos ganhos mensais

Fernanda Nunes Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 22h23

A Petrobrás considera reduzir a jornada de trabalho e o salário dos seus empregados concursados. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, teve acesso à proposta de acordo coletivo defendida pela estatal para o período de 2015 a 2017. No documento, a petroleira abre espaço para que os funcionários da área administrativa passem a trabalhar 30 horas semanais, em vez das atuais 40 horas. A adesão seria voluntária, mas acarretaria corte de 25% nos ganhos mensais e nos pagamentos por férias e décimo terceiro.

Para sair do papel, o acordo coletivo, divulgado na intranet da empresa, depende de negociação com a Federação Única dos Petroleiros (FUP). 

Além de propor redução salarial e das horas trabalhadas nos escritórios, a petroleira quer reduzir a carga de trabalho de dez para oito horas diárias em unidades operacionais, como plataformas e refinarias. 

No dia 26 de agosto, a nova direção da empresa havia anunciado que promoveria um corte de “gastos operacionais gerenciáveis” de US$ 12 bilhões até 2019. Na prática, a petroleira vai suspender direitos até então garantidos aos seus trabalhadores - 80,9 mil funcionários próprios e 200 mil terceirizados.

Em resposta ao Broadcast, a Petrobrás informou que “está aberta ao diálogo para as negociações sobre o acordo”.

Para o representante dos funcionários no conselho de administração, Deyvid Bacelar, a retirada de benefícios e direitos dos trabalhadores é um retrocesso. “Isso é gasolina que a companhia jogou sobre a categoria, agora basta acender um fósforo”, ironizou. “Se a categoria brincar, a empresa pode retirar outros direitos. O governo federal, como acionista controlador, tem responsabilidade sobre esse processo. Não tenho dúvida que vamos ter grande adesão para uma greve forte na categoria.”

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