Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Petrobrás e Shell arrematam blocos por R$ 3,15 bilhões

Companhias mais ativas do leilão do pré-sal, as duas se uniram para ficar com área, na Bacia de Santos, que teve o maior ágio

Denise Luna e Fernanda Nunes, Impresso

27 Outubro 2017 | 22h07

RIO – A Petrobrás e a Shell, as duas maiores produtoras de petróleo do Brasil, foram também as mais ativas nos dois leilões de áreas do pré-sal realizados nesta sexta-feira, 27, pelo governo brasileiro. Sozinhas ou em parceria, cada uma levou três das oito áreas oferecidas nas 2.ª e 3.ª Rodadas de Partilha de Produção. Em uma delas, no bloco Entorno de Sapinhoá, na bacia de Santos, se uniram para arrematar o bloco que teve o maior ágio do leilão, de 80%. A alíquota mínima do óleo excedente destinado à União, proposto pelo governo, era de 10,34%.

A Petrobrás comprou ainda 40% do bloco de Peroba, na Bacia de Santos, e 50% do Alto de Cabo Frio Central, na bacia de Campos. A Shell ficou com 80% de Sul de Gato do Mato, área na Bacia de Santos adjacente a outra já adquirida pela petroleira americana anteriormente, além de 55% de Alto Cabo Frio Oeste, na mesma bacia. Ao todo, os blocos arrematados pelas duas companhias arrecadaram R$ 3,15 bilhões em bônus para o governo, valor pago na proporção da participação adquirida por cada sócio.

++CIDA DAMASCO Desencantou

O presidente da Shell Brasil, André Araújo, festejou a oportunidade de se tornar operador no Brasil, o que não era possível antes das mudanças nas regras do regime de partilha. No primeiro leilão do pré-sal, do campo de Libra, em 2013, apenas a Petrobrás era admitida como operadora – empresa responsável por todas as decisões do desenvolvimento da produção –, o que afastou as grandes petroleiras da disputa e fez com que apenas um consórcio demonstrasse interesse (Petrobrás, Total e chinesas). O bloco acabou saindo pelo bônus mínimo de R$ 15 bilhões.

“Nossa atuação foi fruto do planejamento de meses. Levamos vários blocos e estou muito satisfeito”, disse Araújo, destacando que, com a compra da parte de pré-sal de Gato do Mato, será possível “tirar do freezer” o projeto localizado no pós-sal da mesma área, com o mesmo nome, adquirido pelo regime de concessão.

Produção. Apesar de ser a segunda colocada no ranking das maiores produtoras de petróleo feito mensalmente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção da Shell é de aproximadamente 300 mil barris diários – após a compra da BG, em setembro do ano passado –, enquanto a produção da Petrobrás ultrapassa os 2 milhões de barris de petróleo diários.

Também satisfeito com o resultado obtido no leilão desta sexta-feira, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, afirmou que, apesar da crise que a empresa atravessa, não haverá problemas para honrar o pagamento do bônus. Ele afirmou que os recursos estão contemplados no investimento de US$ 17 bilhões para este ano – os investimentos nos blocos serão feitos ao longo dos próximos anos. “Estamos extremamente satisfeitos e a existência de parceiros tão interessados também atestam a qualidade dos ativos oferecidos”, avaliou Parente.

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