Estadão

Petrobras fecha compra de fatia da Exxon no Chile

Equipe AE

08 Agosto 2008 | 10h37

Empresa diz que a transferência do controle deverá ocorrer no segundo trimestre de 2009

A Petrobras assinou ontem um acordo para a compra da participação da petrolífera americana ExxonMobil na Esso Chile Petrolera e em outras empresas chilenas associadas. Em nota divulgada hoje, a Petrobras diz que a transferência do controle deverá ocorrer no segundo trimestre de 2009, juntamente com o pagamento de cerca de US$ 400 milhões. O acordo abrange o negócio de combustíveis nos mercados de varejo, industrial e de aviação, que conta com 230 postos de serviços, dos quais 109 próprios, e com cerca de metade dos postos com lojas de conveniência. Engloba ainda a distribuição e venda de combustíveis em 11 aeroportos e seis terminais de distribuição de combustíveis, sendo quatro próprios e dois em joint venture. A Petrobras compra ainda, na transação, participação acionária de 22% na Sociedad Nacional de Oleoductos e de 33,3% na Sociedad de Inversiones de Aviación. Os volumes de vendas dos ativos comprados, em 2007, foram de aproximadamente 74 mil, 40 mil e 20 mil m³/mês nos segmentos varejo, industrial e aviação, respectivamente. Com o acordo, a Petrobras leva participação nos mercados de varejo e industrial de 16% e 14% respectivamente. Os negócios químicos, de lubrificantes e de produtos especiais da ExxonMobil no Chile não fazem parte do acordo.     Investimentos   A Petrobras vai investir cerca de US$ 90 milhões na distribuição e rede de postos adquiridos da Exxon no Chile, disse o diretor da área internacional da companhia, Jorge Zelada. Segundo ele, a previsão é de que a troca da bandeira Esso pela da Petrobras ocorra ao longo dos próximos dois ou três anos.   Segundo Zelada, não há dívidas da Esso nesta negociação e o desembolso será feito ao longo dos próximos nove meses, tempo que vai durar a fase de transição de uma para outra companhia. Segundo o diretor, a Petrobras tem a intenção de estudas oportunidades de sinergia dos novos ativos, seja expandindo sua atuação no Chile, seja com oportunidades de parcerias com outros países. Zelada negou que a empresa esteja negociando ativos da Esso no Uruguai e também disse que a companhia não tem intenção de entrar no refino no Chile.   Ele admitiu, porém, que a Petrobras pode estudar a utilização da base de distribuição chilena para a exportação de derivados para outros países. Hoje, segundo o executivo, do total exportado pela Petrobras em óleo e derivados, 10% é destinado ao Chile.   "Temos uma excelente parceria com a Enap (única refinadora no país) e pretendemos expandir nossas relações", disse, negando que haja intenção da companhia de exportar óleo diretamente para sua área de distribuição. "Temos necessariamente que passar pela Enap." Negócios   Na nota, a Petrobras diz que, em 2007, exportou para o Chile petróleo, gás liquefeito de petróleo (GLP), gás natural, petroquímicos e lubrificantes, totalizando cerca de US$ 1,5 bilhão. O principal fornecedor de derivados e único refinador do país é a estatal ENAP, com quem a Petrobras diz ter um forte relacionamento. "Esta aquisição consolida a presença da companhia no segmento de distribuição de combustíveis na América Latina onde, além do Brasil, a empresa já opera na Argentina, Colômbia, Paraguai e no Uruguai, através de uma rede de cerca de 1.000 postos de serviços", diz a nota da estatal brasileira.

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