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Petrobrás negocia subsidiária argentina

Estatal fechou acordo de exclusividade com a Pampa; expectativa é de que negócio, estimado em US$ 1,5 bi, seja concluído em 30 dias

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Antonio Pita,
O Estado de S.Paulo

02 Março 2016 | 23h21

RIO - A Petrobrás entrou na fase final de negociações exclusivas com a empresa Pampa para a venda de sua subsidiária na Argentina, uma operação estimada em US$ 1,5 bilhão, segundo fontes próximas à negociação. A perspectiva é que a venda seja concluída em até 30 dias – se confirmada, será a primeira operação neste ano. Em outro fato relevante, divulgado nesta quarta-feira, a petroleira confirmou que vai colocar à venda um “conjunto de campos terrestres” no País, que seriam concentrados no Nordeste e Espírito Santo. Os dois anúncios fazem parte do plano da estatal de arrecadar US$ 14,4 bilhões com a venda de ativos neste ano.

O objetivo da estatal é se desfazer de toda a sua participação de 63% na Petrobrás Argentina S.A (Pesa) , avaliada em R$ 3,98 bilhões no último relatório trimestral da petroleira, em setembro. O portfólio da subsidiária contempla ainda dezenas de concessões produtoras, a refinaria de Bahía Blanca, a central térmica de Genelba e a hidrelétrica de Pichi Picún Leifú, plantas petroquímicas em Santa Fé, além de uma malha de gasodutos e uma rede de mais de 260 postos de combustíveis - considerado o principal atrativo. Em março de 2015, a companhia já havia vendido 26 concessões terrestres na bacia Austral, por US$ 101 milhões.

A oferta de ativos foi aberta em julho do último ano, com três empresas inicialmente interessadas, entre elas a YPF. As empresas chegaram a apresentar ofertas estimadas entre US$ 900 milhões e US$ 1,2 bilhão, que não teriam agradado à estatal. No fim do ano, com o aperto financeiro da Petrobrás, a diretoria sinalizou que aceitaria rever a modelagem do contrato para os ativos, o que deu novo ritmo às negociações com a Pampa. As empresas já são sócias no gasoduto Transporte de Gas del Sur (TGS), controlado pela brasileira. O TGS é responsável pelo transporte de 60% de todo o gás consumido na Argentina por uma rede de 9 mil km de dutos, além de atuar na produção e comercialização do gás.

De acordo com o comunicado desta quarta-feira, a exclusividade das negociações na Argentina tem prazo de 30 dias, mas pode ser prorrogado. Fontes internas, entretanto, afirmam que a negociação está em “fase final” e deve ser a primeira fechada neste ano.

Desinvestimentos. A Petrobrás também estaria em negociações para se desfazer de suas participações na Braskem e na TAG, transportadora de gás entre o Brasil e a Bolívia. Para a atual diretoria, a venda de ativos é a principal saída para a crise financeira e permitirá que a empresa chegue ao fim de 2017 sem novas captações no mercado. “Estão fazendo de tudo para evitar um novo aumento de capital. São ativos que provavelmente vão significar algo em torno de US$ 2 bilhões no caixa da empresa. Em termos da dívida bruta, na casa de R$ 500 bilhões, não muda em nada a situação da Petrobrás, mas em termos de valor de mercado, ajuda”, avalia o consultor Flávio Conde, da What’sCall.

Em outra frente, a companhia anunciou também, ontem pela manhã, a abertura do processo “competitivo” de venda de campos terrestres no País. Para o diretor da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Petróleo (Abpip), Anabal Santos, haverá grande disputa por essas áreas. Segundo ele, o mercado tem dúvidas sobre as condições de venda pela estatal, que é também a compradora exclusiva do petróleo produzido pelas pequenas empresas. “Seria saudável se a Petrobrás já oferecesse junto às áreas a garantia de recompra do petróleo a preço de mercado, sem descontos.”

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