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Fernando Frazão/Agência Brasil

Com desinvestimento, Petrobrás pode evitar captações, diz diretor

Ivan Monteiro afirma que plano pode fazer com que estatal chegue a julho de 2017 com US$ 15 bi em caixa, o suficiente para tocar as operações; Transpetro está na lista dos ativos que podem ser vendidos

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Antonio Pita,
O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2016 | 17h28

RIO - Mesmo com a atual restrição financeira e a queda das cotações internacionais de óleo, a Petrobrás poderia chegar até julho de 2017 sem recorrer a captações se conseguir concluir seu plano de desinvestimentos. A avaliação do diretor financeiro Ivan Monteiro é que os desinvestimentos "são a premissa financeira" da companhia. Ele sinalizou que a relação de ativos na mesa de negociação já foi ampliada, ficando entre 20 e 30 ativos, considerando áreas que não dependem da cotação do óleo Brent.

"Desinvestimento de US$ 14,4 bilhões é o piso e não meta. Com essa premissa (desinvestimento), não precisaria captar nada, nem US$ 1. Não é algo razoável. Estamos confiantes, sabedores dos desafios, não será, nunca foi fácil", indicou o executivo em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 15.

Segundo Monteiro, caso o plano seja efetivado, a companhia conseguiria chegar até julho de 2017 com US$ 15 bilhões em caixa, considerado o mínimo necessário para tocar suas operações de modo satisfatório. Monteiro também indicou que constam na lista de ativos a subsidiária de transporte e logística, Transpetro, e ativos da área de fertilizantes, que teriam atraído grande interesse de investidores.

"Quando a gente anuncia esse número, esses desafios são considerados. Aumentou a quantidade de opções que estamos colocando na mesa. Petrobrás tem um compromisso com o mercado. São vários processos em paralelo, alguns bastante maduros e outros menos maduros", reforçou.

A diretora da petrolífera Solange Guedes reconheceu uma dificuldade "cultural" da empresa em vender seus ativos, mas que há mudanças em curso. Segundo ela, os desinvestimentos serão feitos não "pela força, mas pelo convencimento".  A executiva ainda destacou que o portifólio de negócios da companhia tem diversos ativos atrativos que não estão vinculados à cotação de óleo.

"Há ativos que em determinado momento que tem mais atratividade. Nos sabemos que haverá alguns mais atrativos e outros menos. Temos ativos de grande interesse que nunca foram ofertados. Esse outro grupo de ativos da Petrobrás, tem a condição histórica de construir um 'larguíssimo' portfólio de oportunidade não relacionados ao Brent", afirmou.

Segundo os executivos, já houve visita de investidores interessados nos ativos da área de fertilizantes, mas que ainda não há uma definição sobre o negócio. 

Transpetro. A subsidiária de logística e transportes da Petrobrás, a Transpetro, foi incluída na lista de ativos indicados para venda pela diretoria. Segundo o diretor Ivan Monteiro, um banco foi contratado e apresentou ontem uma avaliação sobre a empresa e sua atratividade no mercado. A inclusão da subsidiária na relação de desinvestimentos foi citada como exemplo de ativos não relacionados às cotações internacionais de óleo que podem contribuir para a companhia alcançar a meta de US$ 14,4 bilhões.

"Ontem tivemos a  primeira reunião para o banco dizer a visão que tem da Transpetro. É o início  do processo", indicou Monteiro em entrevista coletiva. "Foram apresentados um conjunto de coisas que vamos analisar. A área de negócios vai estressar o que foi apresentado antes de levar a diretoria colegiada", explicou o executivo sobre o processo de definição dos ativos indicados à venda.

Segundo Monteiro, em sua visão a Transpetro tem dois negócios distintos, um referente à área de shipping, com as embarcações e operações logísticas relacionadas à transferência e carregamento de óleo e derivados, e outra de gestão de dutos. O modelo para o desinvestimento da subsidiária, entretanto, ainda não foi definido.

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